Áudios revelam plano de policial da PF para prender ministros do STF e impedir posse de Lula com violência
- Marcus Modesto
- 15 de mai.
- 2 min de leitura
Novos áudios divulgados nesta quarta-feira (14) pelo portal G1 mostram que o policial federal Wladimir Passos integrava um núcleo radical que planejava prender ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e impedir, com o uso da força, a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023. Segundo os relatos gravados, a operação golpista só não foi executada porque o então presidente Jair Bolsonaro teria recuado na última hora.
Wladimir Passos está sendo investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por participação em uma organização criminosa que tentou abolir o Estado Democrático de Direito após as eleições de 2022. Ele foi preso preventivamente e teve aparelhos eletrônicos apreendidos em operação da Polícia Federal. Segundo os investigadores, há indícios claros de que ele atuou ativamente no planejamento de um golpe de Estado.
Nos áudios captados durante a investigação, Wladimir afirma que fazia parte de uma equipe de elite, armada e pronta para agir. “A gente tava preparado para isso, inclusive. Para ir prender o Alexandre de Moraes. Eu ia estar na equipe, ia botar pra f*** nesse f***, mas não é assim”, diz em uma das gravações.
Em outro trecho, revela a frustração com Bolsonaro: “A gente tava pronto, só que aí o presidente… Esperávamos só o ok do presidente, uma canetada para a gente agir. Só que o presidente deu para trás.”
Além das ameaças diretas, os áudios escancararam a disposição do grupo para usar violência extrema. “A gente ia com muita vontade, ia empurrar meio mundo de gente, pô, matar meio mundo de gente. Não ia estar nem aí”, diz o policial.
Wladimir também acusa generais do Exército de terem sido “comprados” pelo governo Lula. “O PT pagou para eles, comprou esses generais”, afirma, sugerindo que a cooptação de parte das Forças Armadas inviabilizou a ação golpista.
As investigações também revelaram conversas de Wladimir com outros integrantes da Polícia Federal. Em uma delas, ele sugere a formação de uma equipe para prender ministros do STF, e recebe apoio de um delegado: “Grande Wladimir! Estaremos eu e você.”
Nas mensagens, o agente federal demonstra frustração com a vitória de Lula, relata ter chorado durante a posse e faz previsões apocalípticas para o país. “Minha vontade era chorar, meu estômago todo embrulhado”, afirmou.
Em outro áudio, relata o fim dos acampamentos bolsonaristas em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília. Segundo ele, o Exército pediu que as famílias deixassem o local para evitar confronto, interpretando a retirada como sinal de que o movimento já havia sido “legitimado”.
As declarações de Wladimir agora integram o material analisado pela Polícia Federal no inquérito que investiga os atos antidemocráticos que culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023. A Primeira Turma do STF já tornou réus outros sete envolvidos na tentativa de golpe.
A investigação segue em curso, com desdobramentos que podem atingir ainda mais agentes públicos e integrantes das forças de segurança, em um dos episódios mais graves contra a democracia brasileira desde a redemocratização.




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