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A criminalização da miséria e o fracasso das políticas públicas em Volta Redonda

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 27 de jan. de 2025
  • 2 min de leitura

Nos últimos dias, uma série de prisões de pessoas em situação de rua em Volta Redonda reacendeu o debate sobre segurança pública e assistência social. Seis indivíduos foram detidos sob acusações de furto e vandalismo, reforçando uma tendência preocupante: a crescente criminalização da miséria na cidade.


Os episódios registrados evidenciam o despreparo das autoridades locais em lidar com uma crise social que se agrava a cada dia. O discurso oficial se concentra na repressão, destacando as ações da Guarda Municipal e da Operação Segurança Presente, enquanto minimiza a falência das políticas de acolhimento e assistência. Ao invés de enfrentarem as causas do problema, as forças de segurança assumem o papel de solução imediata, tratando a pobreza como caso de polícia.


O secretário de Ordem Pública, Coronel Henrique, tenta justificar essa abordagem, alegando que “a legislação só nos permite atuar em situação delituosa”. No entanto, essa postura ignora o fato de que a repressão não resolve a vulnerabilidade social e tampouco evita novos delitos. Pelo contrário, a criminalização dessas pessoas apenas perpetua um ciclo vicioso, em que a ausência de alternativas concretas leva inevitavelmente à reincidência.


Embora a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) apresente uma estrutura formal de apoio – com o Centro Pop, o Abrigo Seu Nadim e o Serviço de Atendimento ao Migrante –, na prática, essas políticas se mostram insuficientes. Quem circula por Volta Redonda vê o aumento da população em situação de rua e percebe que as soluções oferecidas pelo poder público não estão funcionando. Se os abrigos fossem acessíveis, dignos e eficazes, por que tantas pessoas continuam vivendo nas ruas?


A questão central, que a prefeitura evita abordar, é a falta de políticas habitacionais eficientes e programas de inclusão social que ofereçam oportunidades reais de reintegração. Enquanto isso, o foco repressivo apenas alimenta a ilusão de que prender e afastar essas pessoas resolve o problema.


Se Volta Redonda deseja de fato enfrentar essa questão, é preciso ir além das operações policiais e investir em soluções estruturais. Caso contrário, continuaremos testemunhando o ciclo cruel da pobreza sendo tratado como caso de polícia, enquanto a desigualdade se aprofunda e a cidade se torna cada vez mais excludente.


 
 
 

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