A crise no clã Bolsonaro: quando o filho se torna peso político para o pai
- Marcus Modesto
- 25 de set. de 2025
- 2 min de leitura
A mais recente revelação sobre os bastidores da família Bolsonaro mostra um movimento raro: o ex-presidente, em prisão domiciliar, estaria insatisfeito com a postura do filho Eduardo, deputado federal. Segundo informações divulgadas pela colunista Bela Megale, Jair Bolsonaro avalia que as declarações públicas do filho não apenas desgastam sua imagem, mas ampliam o isolamento político em um momento de extrema fragilidade.
O recado de cautela já teria atravessado oceanos: impossibilitado de se comunicar diretamente com Eduardo por decisão judicial, Bolsonaro pediu que um aliado leve pessoalmente aos Estados Unidos a recomendação para que o filho contenha a verborragia. A mensagem, contudo, não é inédita. O próprio senador Flávio Bolsonaro já havia tentado moderar os arroubos do irmão, a pedido do pai, alertando para os riscos de um discurso marcado por ameaças e ataques indiscriminados.
O problema é que Eduardo Bolsonaro parece surdo a conselhos. Sua retórica agressiva, que atinge desde parlamentares e membros do Judiciário até aliados estratégicos como Valdemar Costa Neto, líder do PL, expõe não apenas uma imprudência pessoal, mas um risco calculado: transformar a defesa do bolsonarismo em uma caricatura do confronto permanente.
Se Flávio aposta na costura política e no discurso pragmático, Eduardo insiste na radicalização como projeto de poder. Essa divisão interna ameaça a própria influência do ex-presidente. A ousadia do deputado em declarar-se presidenciável, mesmo sem o endosso do pai, é a expressão máxima de uma autonomia que já ultrapassa a linha da lealdade política para entrar no terreno da rebeldia eleitoral.
A pergunta que se impõe é clara: quem comanda hoje o bolsonarismo? O pai, cada vez mais refém de restrições judiciais e de sua própria inércia, ou o filho, que parece disposto a disputar a herança política mesmo que isso signifique confrontar a autoridade paterna?
Seja qual for a resposta, uma coisa já está evidente: o clã Bolsonaro enfrenta uma crise inédita, em que a voz mais barulhenta pode se tornar também a mais nociva para a sobrevivência política da família.




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