A Estratégia da Amnésia: Tentativa de Esquecer um Crime Político
O argumento da defesa de Jorge Guaranho de que ele “não se lembra absolutamente nada” do assassinato de Marcelo Arruda soa, no mínimo, conveniente. O ex-policial penal bolsonarista invadiu uma festa de aniversário, motivado por ódio político, e disparou contra um adversário ideológico. Agora, sua defesa tenta desviar o foco da motivação do crime, apostando na amnésia e nas sequelas neurológicas como estratégia jurídica.
É evidente que as lesões de Guaranho, causadas pela reação ao seu ataque, são um fato médico relevante. No entanto, é impossível ignorar que o crime foi um ato de intolerância política em um país já polarizado. A defesa quer afastar esse contexto para tentar reduzir sua pena, como se um esquecimento conveniente apagasse a gravidade do ato.
O julgamento de Guaranho não pode se transformar em uma inversão de papéis, onde o agressor passa a ser visto como vítima. O Brasil tem um histórico de impunidade quando se trata de crimes políticos, e relativizar esse caso seria mais um retrocesso. Justiça não pode ser seletiva nem complacente com a violência motivada por ideologia.




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