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A Ponte da Partida

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 12 de jan. de 2025
  • 1 min de leitura

crônica:


Marcus Modesto


A ponte é bela, não há como negar. Suas linhas elegantes desafiam o céu, cortam o horizonte e abraçam o Rio Paraíba do Sul. De longe, ela parece ser um símbolo de progresso, um traço de modernidade em uma paisagem marcada pelo tempo. Mas, ao atravessá-la, a beleza dá lugar à melancolia.


Quem cruza essa ponte o faz sem esperança. Do outro lado, há uma cidade que parou no tempo, sufocada pelo abandono e pela falta de perspectivas. Um lugar que já foi pulsante, rico em cultura, onde o som da música ecoava pelas ruas e as artes floresciam em cada esquina. Hoje, é o mais do mesmo: promessas vazias, estruturas deterioradas e um povo cansado de esperar.


O Rio Paraíba do Sul, que corre sob a ponte, é como a cidade: ferido, poluído, esquecido. Suas águas escuras refletem o descaso de quem deveria cuidar, enquanto as margens narram histórias de outrora, quando ele era fonte de vida e não de tristeza.


Agora, a ponte não conecta, mas separa. Ela é o caminho da partida, não da chegada. As pessoas atravessam para ir embora, buscando em outros lugares o que não encontram mais aqui: oportunidades, dignidade, futuro. Cada carro que a cruza é um adeus silencioso, um capítulo encerrado.


E a cidade, que deveria vibrar de possibilidades, se torna um eco do passado, presa em suas glórias antigas e incapaz de reinventar-se. A ponte, por mais bela que seja, não consegue esconder a verdade: ela é o retrato de um lugar que perdeu a capacidade de sonhar.


Foto Marcus Modesto


 
 
 

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