A prisão de Carla Zambelli na Itália é questão de tempo — e de justiça
- Marcus Modesto
- 13 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Localizada na Itália pela Polícia Federal, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) está prestes a ser presa em cumprimento de um mandado de extradição expedido após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa, segundo informações divulgadas pelo jornalista Octavio Guedes no portal g1, é que a captura ocorra até este sábado (14), com base na difusão vermelha da Interpol, já acatada pelas autoridades italianas.
Zambelli foi condenada a 10 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por crimes gravíssimos: invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de dados falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisão, entre eles, um mandado fraudulento contra o ministro Alexandre de Moraes. É um dos episódios mais emblemáticos de desrespeito à institucionalidade protagonizados por um parlamentar eleito, agora transformado em símbolo de afronta à democracia e às leis.
A fuga internacional que passou por Argentina, Estados Unidos e culminou na Itália não é um mero passeio. É uma tentativa calculada de escapar da Justiça brasileira e transformar sua condenação judicial em narrativa política. Ao alegar, em entrevista, que busca apenas “se regularizar” e que sofre “perseguição”, Zambelli recorre ao manual de quem tenta confundir opinião pública com teoria da conspiração.
Mas há uma diferença fundamental entre perseguição e responsabilização. Zambelli não está sendo punida por ideias, mas por ações criminosas comprovadas, julgadas por uma Corte com amplo direito de defesa e contraditório. E sua tentativa de se apresentar como vítima de um sistema corrupto perde qualquer ressonância diante da gravidade dos atos que cometeu: fraudes em nome do Estado, com objetivos nitidamente políticos.
Sua inclusão na lista da Interpol, sua localização pela PF e a atuação coordenada com autoridades italianas representam uma rara demonstração de que as instituições ainda funcionam — e que o foro privilegiado não é, necessariamente, sinônimo de impunidade. Resta saber se o Brasil, ao confirmar a extradição, conseguirá manter a coerência institucional diante de um caso que escancarou o abismo entre discurso político e prática criminosa.
O que está em jogo não é apenas o destino de uma deputada, mas a credibilidade da Justiça brasileira diante de um cenário em que figuras públicas acreditam que podem transgredir a lei e se esconder atrás do mandato — ou de um passaporte.




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