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A Saúde Como Peça no Tabuleiro Político

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 26 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

A demissão de Nísia Trindade do Ministério da Saúde expõe, mais uma vez, a lógica política que rege as decisões do governo Lula. Mais do que uma questão de competência ou de entrega de resultados, a saída da ministra reflete um movimento para acomodar interesses políticos e tentar reverter a queda de popularidade do governo.


A chamada “fritura” de Nísia escancarou o desgaste interno da gestão e a pressão de setores insatisfeitos, seja no Congresso, seja no próprio Planalto. O método empregado foi típico: vazamentos para a imprensa, desautorização indireta e, por fim, uma substituição comunicada tardiamente. A ministra, que soube da decisão pelos jornais, foi mantida em um limbo desconfortável até a oficialização de sua saída. Esse roteiro, longe de ser um caso isolado, já foi utilizado outras vezes no governo, revelando um padrão pouco republicano na condução das trocas ministeriais.


Além da forma, a substituição de Nísia também levanta questões sobre o real compromisso do governo com a Saúde pública. Se a motivação fosse apenas a busca por maior eficiência, não faria sentido a escolha de Alexandre Padilha, um nome com longo histórico político, mas sem um desempenho notável na gestão da pasta no passado. A troca parece visar menos a melhoria do SUS e mais a busca por uma “marca” de governo, como se a Saúde fosse um instrumento de marketing e não uma área essencial para a população.


É irônico que, em um momento de crise sanitária com a explosão de casos de dengue e dificuldades no abastecimento de vacinas, a solução do governo seja uma troca de nomes baseada em cálculo político. A Saúde precisa de estabilidade e compromisso técnico, não de ministros que sejam descartados conforme as necessidades eleitorais do momento.



 
 
 

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