Acessibilidade em destaque: mesa na Casa Sesc propõe escuta como experiência sensorial e inclusiva na Flip 2025
- Marcus Modesto
- 3 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Paraty (RJ) – A manhã da última sexta-feira (1º) na Flip 2025 foi marcada por uma conversa potente sobre literatura, oralidade e inclusão. A mesa “Literatura em voz alta”, realizada na Casa Sesc, reuniu as escritoras Angélica Freitas e Maria Carvalhosa, sob mediação de Priscila Branco, do Departamento Nacional do Sesc. O encontro foi mais do que um debate literário: foi um marco simbólico do esforço coletivo pela construção de um espaço verdadeiramente acessível e sensorial na Festa Literária Internacional de Paraty.
Editora da Supersônica Livros, Maria Carvalhosa compartilhou com o público a proposta inovadora de sua casa editorial: a produção de audiolivros com direção artística, que transformam a escuta em experiência estética e íntima.
— Acho que essa oportunidade de investigar o que existe entre a voz e o texto é o que motiva a Supersônica. Produzimos audiolivros em que a voz não apenas narra, mas cria sensações. Acessibilidade não é só garantir o mínimo, mas oferecer novas possibilidades de percepção — afirmou.
Ela também elogiou a estrutura acessível montada na Casa Sesc e destacou a presença de audiodescrição de ambiente — algo raro até mesmo em eventos culturais de grande porte.
A Casa Sesc na Flip 2025 foi palco de uma experiência inédita em acessibilidade cultural. Por meio do trabalho do CREI Sesc Senac, foram integrados diversos recursos em toda a programação: tradução simultânea em Libras, audiodescrição em tempo real, mapas táteis com braille, QR codes para visitas guiadas por áudio, cardápios acessíveis, espaço sensorial com objetos e texturas variadas, além de sinalização em linguagem simples e materiais gráficos com audiodescrição espacial.
Um dos destaques foi o Guia de Boas Práticas de Acessibilidade, entregue a todos os participantes e convidados. O material oferece orientações claras para uma comunicação mais inclusiva, desde a condução de mesas e falas públicas até a acolhida ao público com deficiência.
— Acreditamos que a acessibilidade deve ser pensada desde o início de qualquer ação cultural, não como um recurso complementar, mas como parte estruturante de todo o projeto — explica Maria Antônia Goulart, diretora do CREI Sesc Senac. — A Flip foi uma oportunidade valiosa para integrar, de forma inédita, acessibilidade física, comunicacional, programática e sensorial à Casa Sesc.
Segundo ela, a experiência comprova que é plenamente viável oferecer cultura de qualidade de forma inclusiva. “Quando esses recursos são incorporados desde o início, a experiência se transforma para todos os públicos, e não apenas para pessoas com deficiência.”
Com o auditório cheio — entre ouvintes com e sem deficiência —, a mesa “Literatura em voz alta” reafirmou que acessibilidade e qualidade artística não apenas coexistem, mas se potencializam. Uma aula prática de inclusão, escuta e sensibilidade.
A programação completa da Casa Sesc na Flip 2025 está disponível em: sescrio.org.br/sescnaflip.




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