Adeus a Zé da Velha, mestre do trombone que atravessou gerações do choro
- Marcus Modesto
- 27 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
A música instrumental brasileira perdeu, nesta sexta-feira (26), um de seus pilares. Morreu aos 83 anos o trombonista sergipano Zé da Velha, vítima de infecção bacteriana. Referência absoluta do choro, ele construiu uma trajetória de mais de seis décadas marcada pela elegância sonora, pelo respeito à tradição e pela capacidade rara de dialogar com diferentes gerações de músicos.
Nascido em Aracaju, em 1º de junho de 1942, José Alberto Rodrigues Matos iniciou a carreira ainda muito jovem. Foi nos anos 1950 que passou a integrar o conjunto Velha Guarda, convivendo com nomes históricos como Donga e Pixinguinha. Dali surgiu o apelido que o acompanharia por toda a vida artística e se tornaria sinônimo de excelência musical.
Ao longo das décadas seguintes, Zé da Velha deixou sua marca em formações como o Conjunto Sambalândia, a Orquestra Gentil Guedes, o Chapéu de Palha e o Suvaco de Cobra. Em todos esses trabalhos, o trombone aparecia como extensão de sua própria identidade, com uma sonoridade precisa, expressiva e inconfundível.
Em 1986, sua carreira ganhou novo capítulo com a parceria ao lado do trompetista Silvério Pontes. Juntos, formaram uma das duplas mais respeitadas do choro e do samba instrumental, carinhosamente chamada de “a menor big band do mundo”, tamanha a potência musical que produziam apenas com dois sopros.
A morte do músico provocou comoção entre colegas e admiradores. Silvério Pontes usou as redes sociais para se despedir daquele que definiu como “pai musical”, ressaltando a sensibilidade de Zé da Velha, sua relação profunda com o silêncio e a forma única de servir à música com alma e coração.
“Foi com o mestre Zé da Velha que comecei a entender o que era tocar de verdade, sentindo cada nota”, escreveu o trompetista, em um depoimento emocionado que reflete a influência do trombonista sobre toda uma geração.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento. O legado, no entanto, permanece vivo nas gravações, nos palcos que ajudou a construir e na memória afetiva da música brasileira.




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