Alerj cobra explicações sobre retirada de obra no Festival Sesc de Inverno em Petrópolis
- Marcus Modesto
- 28 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Instalação do artista Matheus Ribs, que alterava bandeira nacional, foi removida pela Guarda Municipal; caso é tratado como censura
A Comissão de Combate às Discriminações da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) vai solicitar esclarecimentos ao Sesc e à Prefeitura de Petrópolis sobre a retirada da instalação artística “KilomboAldeya”, do artista visual Matheus Ribs, durante o Festival Sesc de Inverno, realizado no último sábado (26), em Itaipava, Região Serrana do Rio. O episódio foi denunciado pelo autor como um ato de censura e já motivou uma representação ao Ministério Público Estadual (MPRJ).
A obra apresentava uma releitura da bandeira do Brasil, substituindo a inscrição “Ordem e Progresso” por “KilomboAldeya”, referência a matrizes afro-brasileiras e indígenas. Um dia após sua montagem, agentes da Guarda Civil Municipal determinaram a remoção do trabalho e também de materiais gráficos relacionados.
O Sesc informou que lamenta o ocorrido e que a ação foi justificada com base na Lei nº 5.700/1971, que regulamenta o uso dos símbolos nacionais.
Comissão da Alerj questiona base legal
O deputado estadual Professor Josemar (Psol), presidente da comissão, classificou a retirada como injustificável e questionou o uso da legislação citada:
“É um absurdo o que aconteceu. Utilizaram uma lei da ditadura de 1971, que foi superada pela Constituição de 1988, para impedir uma manifestação artística. Não podemos aceitar tamanha barbaridade.”
Segundo o parlamentar, a comissão pretende acompanhar o caso e oferecer apoio ao artista:
“Vamos apurar responsabilidades e defender o direito à liberdade de expressão em espaços públicos.”
Artista relata pressão e ameaça
Matheus Ribs, convidado pelo Centro Cultural Sesc Quitandinha, disse que a equipe do festival foi informada sobre a necessidade de retirada da obra sob ameaça de prisão, caso a ordem não fosse cumprida.
“Essa decisão não foi fruto de debate artístico, técnico ou institucional, mas um ato de coerção e censura direta”, afirmou.
Para Ribs, a intervenção proposta questiona narrativas históricas e valoriza territórios quilombolas e indígenas:
“KilomboAldeya é uma ideia viva. Minha arte busca evidenciar identidades marginalizadas e mostrar que os símbolos nacionais também podem ser espaço de crítica. Esse tipo de repressão é incompatível com um Estado democrático de direito.”
A reportagem solicitou posicionamento oficial da Prefeitura de Petrópolis e aguarda resposta.




Comentários