Antes da prisão, Vorcaro pesquisou juiz e levantou suspeitas de vazamento de informações
- Marcus Modesto
- 23 de mar.
- 2 min de leitura
O ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma busca na internet para descobrir quem era o magistrado responsável por seu processo na véspera de ser preso pela Polícia Federal, em novembro de 2025. O dado consta em informações extraídas de seu celular, apreendido no momento da detenção no Aeroporto Internacional de Guarulhos, conforme revelou a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
O registro da pesquisa passou a integrar o conjunto de provas analisadas pela investigação e foi apresentado a parlamentares da CPI do INSS. Para a Polícia Federal, o episódio reforça a suspeita de que houve acesso antecipado a dados sigilosos da operação.
De acordo com a apuração, a pesquisa ocorreu em 16 de novembro. No dia seguinte, Vorcaro foi preso por volta das 22h, enquanto tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, com escala em Malta.
Sinais de que já sabia da prisão
Os investigadores identificaram indícios de que o ex-banqueiro já tinha conhecimento da ordem judicial que seria expedida contra ele. No mesmo dia da busca, ele anotou em seu celular o nome do juiz substituto da 10ª Vara Federal de Brasília.
Essa informação teria sido enviada em formato de mensagem com visualização única a um destinatário ainda não identificado, recurso que dificulta o rastreamento das comunicações. Horas antes de ser detido, Vorcaro também manteve contato com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, questionando possíveis desdobramentos do caso.
Decisão judicial e investigação
A prisão preventiva foi determinada pelo juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite, às 15h29 do dia 17 de novembro, atendendo a um pedido do Ministério Público Federal protocolado cerca de um mês antes.
A investigação aponta que Vorcaro e pessoas próximas teriam acessado, de forma ilegal, sistemas internos de órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público, obtendo informações protegidas por sigilo.
Possível vazamento de dados
Segundo a Polícia Federal, o ex-executivo já tinha acesso a documentos confidenciais meses antes da operação. Parte desse material teria sido compartilhada com um colaborador próximo ainda em julho de 2025.
Outro elemento sob análise envolve a divulgação antecipada de uma reportagem que mencionava a existência de um processo criminal na Justiça Federal. O conteúdo foi publicado poucas horas antes da prisão e acabou sendo utilizado pela defesa.
Mensagens analisadas indicam contato direto entre Vorcaro e o jornalista responsável pela matéria, incluindo negociações financeiras descritas como contratos de publicidade.
Movimentações antes da prisão
No dia em que a ordem judicial foi expedida, advogados do empresário tentaram contato com autoridades do Judiciário. Em uma das mensagens, um defensor afirmou estar pressionando o magistrado responsável pelo caso.
A tentativa de deixar o país às pressas também foi considerada pelos investigadores como um possível indicativo de que Vorcaro já sabia da decisão que determinaria sua prisão.
Defesa e posicionamentos
A defesa de Daniel Vorcaro não comentou o caso. Um dos advogados declarou apenas que atuou dentro dos limites legais ao buscar interlocução com autoridades.
O jornalista citado afirmou que os valores recebidos estavam ligados a contratos regulares de publicidade e patrocínio, prática comum no setor, sem interferência no conteúdo editorial.
As investigações continuam e devem avançar sobre possíveis acessos indevidos a sistemas oficiais e o eventual vazamento de informações protegidas por sigilo judicial.
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