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Aos 87 anos, idosa transforma viagem a Mangaratiba em celebração da vida

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
3 de set.
3 min de leitura

Passeio promovido pela Assistência Social de Volta Redonda levou 26 usuários do Centro-Dia para dias de lazer, convivência e novas experiências


Aos 87 anos, Dimar do Espírito Santo Andrade embarcou nesta quarta-feira (2) para Mangaratiba levando na bagagem muito mais do que chapéu e maiô. Moradora do Retiro, em Volta Redonda, ela carregava também uma história marcada por perdas, superação e pela decisão de continuar aproveitando a vida.


A viagem, promovida pela Prefeitura de Volta Redonda, reuniu 26 usuários do Centro-Dia de Atendimento ao Idoso José Conrado. Para Dimar, porém, o passeio representa algo maior: a possibilidade de sair da rotina, reencontrar amigos e descobrir que novas experiências ainda podem fazer parte da velhice.


Depois de perder um filho de maneira inesperada, Dimar encontrou no Centro-Dia um espaço de acolhimento e convivência. O serviço passou a fazer parte de sua rotina há aproximadamente um ano e meio, com atividades duas vezes por semana.


“Foi um trauma muito grande. O Centro-Dia me acolheu quando eu mais precisava. As pessoas conversaram comigo, tiveram carinho e cuidado. Eu me sinto muito querida lá”, relata.


A convivência com outros idosos foi fundamental para que ela retomasse a disposição para atividades e momentos de lazer. Exercícios, conversas, refeições, passeios e outras ações passaram a integrar uma rotina que, segundo ela, ajudou a enfrentar um período especialmente difícil.


Dimar, aliás, não demonstra disposição alguma para deixar a idade limitar seus planos.


“Eu gosto de conversar, brincar e aproveitar. Se tem viagem, eu vou. Se tem música, eu danço. A vida é para ser vivida”, afirma.


E a viagem para Mangaratiba estava sendo aguardada com ansiedade. Antes mesmo do embarque, ela já fazia planos para os dias fora de casa e brincava com os preparativos.


“Já estou levando meu chapéu e meu maiô. Não vou levar para voltar com eles intactos. Quero usar!”, disse, provocando risadas entre os colegas.


Lazer também é política de cuidado


A programação faz parte de uma iniciativa que levará aproximadamente 300 idosos de Volta Redonda a Mangaratiba para momentos de lazer e convivência. Sete ônibus foram utilizados no deslocamento, com a presença de servidores da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), cuidadores e familiares de alguns participantes.


No Centro-Dia, o atendimento é voltado para pessoas com 60 anos ou mais que apresentam vínculos sociais ou comunitários fragilizados ou que estejam sob risco de rompimento.


Com capacidade para até 60 pessoas, o equipamento recebe no máximo 25 usuários por dia e desenvolve ações voltadas à autonomia, socialização, inclusão e qualidade de vida.


Para Rosilene Pisaneschi, coordenadora do Centro-Dia, a viagem é um dos momentos mais esperados pelos participantes.


“Eles estavam esperando por essa viagem desde junho. Para muitos, é uma oportunidade muito especial, porque nem todos têm condições de viajar. A alegria e a expectativa deles tornam esse momento muito gratificante”, destaca.


A diretora do Departamento de Proteção Social Especial (DPES), Mariana Pimenta, também destaca que experiências como essa ultrapassam o conceito de simples passeio.


Segundo ela, conhecer novos lugares, conviver com outras pessoas e compartilhar experiências contribui para o fortalecimento dos vínculos e para a autonomia dos idosos.


A secretária municipal de Assistência Social, Rosane Marques, reforça que o cuidado com a população idosa também precisa incluir lazer, convivência e bem-estar.


Para ela, proporcionar momentos fora da rotina significa criar oportunidades para que os idosos mantenham vínculos, construam novas lembranças e continuem participando ativamente da vida social.


“Quero aproveitar”


A história de Dimar sintetiza o espírito da viagem. Depois de enfrentar uma perda familiar que mudou sua vida, ela decidiu não permitir que a dor definisse o restante de sua trajetória.


“Eu não sei o que a vida ainda vai me trazer, mas, enquanto tiver saúde, quero aproveitar. Quero conversar, rir, conhecer lugares e fazer amigos. Vivo um dia de cada vez, mas faço questão de viver bem cada dia”, resume.


Em Mangaratiba, entre passeios, praia, música e momentos de confraternização, Dimar e os demais participantes têm a oportunidade de construir novas memórias.


Aos 87 anos, ela parece ter encontrado uma resposta simples para a passagem do tempo: continuar seguindo em frente — e, sempre que surgir uma nova viagem, fazer questão de embarcar.

Foto Jean Alves


 
 
 

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