Após 72 anos, Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo encerra atividades por falta de recursos
- Marcus Modesto
- 22 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
A Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo (OSNH), um dos mais importantes patrimônios culturais do Rio Grande do Sul, anunciou o encerramento de suas atividades na última segunda-feira, 17 de março. A decisão ocorre após a confirmação do fim dos repasses financeiros anuais por parte da Prefeitura de Novo Hamburgo, que garantiam a manutenção da orquestra.
Fundada em 1952 pelo maestro Arlindo Ruggeri, a OSNH é a segunda orquestra mais antiga em funcionamento no Estado. Em 2008, recebeu o título de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Novo Hamburgo, em reconhecimento à sua relevância para a identidade cultural gaúcha.
Fim de um ciclo e impactos sociais
Ao longo de mais de sete décadas, a OSNH não apenas encantou plateias com suas apresentações, mas também desempenhou um papel fundamental na formação musical de jovens. A orquestra é responsável pelo Instituto Arlindo Ruggeri, que organiza o Festival Internacional de Música de Novo Hamburgo (FeMusiK) e oferece aulas gratuitas de instrumentos como violino, violoncelo, contrabaixo e sopros para estudantes da região.
O encerramento das atividades da OSNH representa um duro golpe para a cena cultural local e para os músicos envolvidos, que perdem suas fontes de renda e espaços de expressão artística. Além disso, jovens talentos ficarão sem acesso a um programa de educação musical que promove inclusão social e desenvolvimento pessoal.
Corte de verbas e futuro incerto
Em nota oficial, a direção da OSNH lamentou o fim do apoio financeiro municipal e alertou para as consequências da decisão. “É um momento de profunda tristeza. Estamos encerrando um ciclo de 72 anos de dedicação à música e à formação de novas gerações. Sem os recursos necessários, torna-se inviável manter nossas atividades e os projetos sociais que beneficiam tantos jovens”, destacou o comunicado.
Até o momento, a Prefeitura de Novo Hamburgo não se pronunciou oficialmente sobre os motivos que levaram ao corte dos repasses.
Mobilização em defesa da cultura
O anúncio gerou comoção entre músicos, ex-alunos e a comunidade cultural. Diversas iniciativas estão surgindo em defesa da continuidade da orquestra, com mobilizações nas redes sociais e pedidos para que as autoridades revejam a decisão.
— Não podemos permitir que um patrimônio tão valioso seja extinto. A OSNH representa não apenas a música, mas a oportunidade de transformação social para centenas de jovens — afirmou um dos músicos da orquestra.
A comunidade local espera que a mobilização sensibilize as autoridades e permita a retomada do apoio financeiro, garantindo a preservação desse importante legado cultural.




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