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Associação do Aço dos EUA Acusa Brasil de Subsidiar Indústria e Pressiona Por Tarifas Mais Rígidas

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 17 de mar.
  • 2 min de leitura

Em carta enviada ao chefe do Escritório de Representação Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, a Steel Manufacturers Association (SMA) classificou o Brasil como a “China da América Latina” e acusou o governo brasileiro de conceder subsídios que favorecem de forma injusta a indústria siderúrgica local.


O documento, assinado pelo presidente da SMA, Philip Bell, foi apresentado no âmbito da consulta pública do USTR que busca identificar práticas comerciais consideradas desleais ou sem reciprocidade. A manifestação da entidade ocorre em um momento em que o governo dos Estados Unidos avalia reforçar as restrições ao aço importado.


Bell argumenta que os Estados Unidos enfrentaram um déficit de 18 milhões de toneladas de aço em 2024, e que, na última década, as importações superaram as exportações em 200 milhões de toneladas. Segundo ele, o excesso global de capacidade de produção, estimado em 644 milhões de toneladas para 2025, tem intensificado a concorrência internacional e prejudicado a indústria americana.


O Brasil ocupa um destaque especial na carta de 40 páginas. De acordo com a SMA, apesar de ter uma capacidade de produção de 50,9 milhões de toneladas de aço, o país produziu apenas 31,8 milhões de toneladas em 2023. Mesmo com essa capacidade ociosa, as siderúrgicas brasileiras anunciaram recentemente um plano de investimento de R$ 100 bilhões para expandir a produção.


A associação aponta ainda barreiras comerciais que dificultam a entrada do aço americano no Brasil. Entre elas, a tarifa média de importação de 12,6%, que pode chegar a 35% dependendo do produto, e o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), taxa que, segundo a SMA, reduz a competitividade do aço estadunidense no mercado brasileiro.


Outro ponto de crítica é o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento da indústria siderúrgica brasileira. Bell cita programas como o Finame – Baixo Carbono, que oferece crédito para a aquisição de tecnologias mais sustentáveis, como um exemplo de subsídio que proporcionaria vantagens injustas aos produtores brasileiros no comércio global.


Além do BNDES, a carta destaca a existência de mais de 120 empresas estatais no Brasil em setores estratégicos, como óleo e gás, eletricidade e transportes, reforçando a visão da SMA de que o governo brasileiro apoia diretamente a indústria nacional.


Nos Estados Unidos, a maior preocupação recai sobre as importações de produtos semiacabados vindos do Brasil. Segundo a carta, 70% das placas de aço importadas pelos EUA têm origem brasileira. Bell classifica esse volume como um “suprimento desnecessário” que ameaça os empregos e os investimentos na produção doméstica de bens finais, como chapas, tubos e fios usados em setores como a construção civil e a indústria automobilística.


A pressão da SMA acontece em um contexto em que o governo americano, sob liderança do presidente Joe Biden, avalia a manutenção ou o endurecimento das tarifas de 25% sobre o aço, implementadas originalmente durante a administração de Donald Trump. Com a ofensiva, a associação busca reforçar as medidas protecionistas e limitar ainda mais o acesso do aço brasileiro ao mercado dos Estados Unidos.



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