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Ataques racistas contra jornalista de Pinheiral escancaram intolerância e tentativas de silenciar a imprensa

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 5 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

O racismo segue vivo, cruel e articulado. E, nesta segunda-feira (05), mais uma vez mostrou sua face covarde: uma jornalista da cidade de Pinheiral denunciou estar sendo alvo de ofensas racistas, ataques pessoais e perseguição virtual por cumprir seu papel mais básico — informar. O caso foi revelado ao vivo, durante seu próprio programa de entrevistas, e mais tarde formalizado na 101ª Delegacia de Polícia, com testemunhas e provas dos abusos.


A profissional em questão é Marilene Severiano, comunicadora reconhecida na cidade. Ela foi chamada de “urubu”, teve sua aparência atacada, sua profissão desmerecida e recebeu o rótulo de “jornalista de fundo de quintal” — termos que não apenas revelam preconceito, mas configuram injúria racial, hoje equiparada ao crime de racismo, com pena que pode chegar a cinco anos de reclusão.


Segundo o delegado Antonio Furtado, que assumiu interinamente a delegacia de Pinheiral, os ataques têm origem em um grupo organizado pela internet. As agressões se intensificaram após Marilene noticiar a absolvição de um morador da cidade acusado de estupro. Mesmo tratando-se de uma informação verídica e baseada em decisão judicial, a jornalista foi atacada como se fosse culpada por relatar os fatos.


— O que vimos foi uma tentativa clara de intimidar uma profissional da imprensa pelo simples fato dela exercer seu papel. Isso, além de ser crime, representa uma ameaça à liberdade de imprensa e à democracia — afirmou o delegado.


Cinco suspeitos já foram identificados, e o inquérito policial está em andamento. Há ainda possibilidade de enquadramento por cyberbullying, caso fique comprovada a atuação sistemática dos agressores. A pena pode chegar a quatro anos, sem contar a possibilidade de prisão em flagrante em caso de novas ameaças.


Mais do que um episódio isolado, o que Marilene Severiano está enfrentando é reflexo de um problema estrutural: o racismo e o machismo que persistem contra mulheres negras, especialmente aquelas que ocupam espaços de visibilidade e opinião. Quando uma jornalista é atacada com base em sua cor e origem, a violência não atinge apenas ela — atinge toda a sociedade.


Racismo não é “opinião”. Racismo é crime. E silenciar uma voz jornalística é atentar contra o direito de todos a viver em uma sociedade livre, informada e democrática.


 
 
 

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