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Audiências sobre a trama golpista têm baixa adesão de testemunhas e poucos avanços no STF

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 16 de jul.
  • 2 min de leitura

O Supremo Tribunal Federal (STF) prosseguiu nesta quarta-feira (16) com as oitivas nas ações penais envolvendo os núcleos 2, 3 e 4 do esquema golpista investigado pela Polícia Federal. Apesar da expectativa em torno dos depoimentos, apenas cinco das 29 testemunhas de defesa previstas compareceram às audiências.


A ausência em massa de políticos, militares e autoridades arroladas pelas defesas marcou o dia. Entre os nomes aguardados estavam os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro — o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) —, além dos senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Eduardo Girão (Novo-CE), e o ex-ministro Onyx Lorenzoni. Por diferentes razões, a maioria não compareceu, sendo dispensada por decisão do ministro Alexandre de Moraes, por irrelevância dos depoimentos ou por desistência das próprias defesas.


Chamou atenção a ausência do delegado da Polícia Federal Fábio Shor, responsável pelas investigações que indiciaram 34 pessoas, incluindo o próprio Bolsonaro. A defesa do ex-assessor Filipe Martins solicitou sua intimação, mas Moraes deixou claro ao final da sessão que é responsabilidade das defesas garantir a presença das testemunhas em juízo, sinalizando que não deve convocá-lo.


Na audiência do núcleo 2, apenas duas das 21 testemunhas previstas prestaram depoimento: o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o general Gonçalves Dias, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional. Ambos afirmaram não conhecer os réus e negaram qualquer envolvimento em plano golpista.


Em paralelo, a audiência conduzida pela juíza auxiliar Luciana Sorretino no núcleo 3 também teve baixa participação: apenas três das oito testemunhas compareceram. Entre elas, o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Julio Valente, reafirmou a segurança das urnas eletrônicas e desmentiu teorias conspiratórias levantadas pela defesa.


Os depoimentos relativos ao núcleo 4 foram encerrados nesta quarta. As oitivas dos núcleos 2 e 3 devem seguir até 23 de julho. Encerrada essa fase, será a vez dos réus serem interrogados, mas as datas ainda não foram definidas.


Réus por núcleo:


Núcleo 2:

• Filipe Martins (ex-assessor internacional de Bolsonaro)

• Marcelo Câmara (ex-assessor)

• Silvinei Vasques (ex-diretor da PRF)

• Mário Fernandes (general do Exército)

• Marília de Alencar (ex-subsecretária de Segurança do DF)

• Fernando de Sousa Oliveira (ex-secretário adjunto de Segurança do DF)


Núcleo 3:

• Bernardo Correa Netto, Cleverson Magalhães, Estevam Theophilo, Fabrício Bastos, Hélio Ferreira, Márcio Resende Júnior, Nilton Rodrigues, Rafael Oliveira, Rodrigo Bezerra, Ronald Araújo Júnior, Sérgio Cavaliere e Wladimir Soares — todos militares de alta patente e um agente da PF


Núcleo 4:

• Ailton Moraes Barros, Ângelo Denicoli, Giancarlo Rodrigues, Guilherme Almeida, Reginaldo Abreu, Marcelo Bormevet (PF) e Carlos Moretzsohn (presidente do Instituto Voto Legal)


Apesar das ausências e do ritmo lento, o STF segue avançando na coleta de provas. Com os depoimentos se encerrando nos próximos dias, cresce a expectativa pelos interrogatórios dos réus — momento que pode trazer revelações mais contundentes sobre o planejamento e a execução da tentativa de ruptura institucional que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023.


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