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Auditoria do governo do RJ investiga contrato milionário do Inea para tratamento de rios do Guandu

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 12 de mai.
  • 2 min de leitura

Uma auditoria interna do governo do Rio de Janeiro colocou sob análise um dos principais contratos ambientais executados pelo Instituto Estadual do Ambiente nos últimos anos. O foco da investigação envolve as obras das Unidades de Tratamento de Rio (UTRs) instaladas nos rios Poços e Ipiranga, em Nova Iguaçu, empreendimento avaliado em R$ 108 milhões.


As estruturas fazem parte de ações voltadas à recuperação da qualidade da água que abastece o Sistema Guandu, responsável pelo fornecimento de água tratada para grande parte da Região Metropolitana do Rio.


Segundo informações levantadas pela auditoria, o contrato apresenta questionamentos relacionados à forma de contratação da empresa responsável pela execução da obra, além de atrasos, sucessivos aditivos e falhas de planejamento técnico.


Projeto foi criado após crise da geosmina


As UTRs passaram a ser consideradas estratégicas após a crise da geosmina registrada em 2020, quando alterações no gosto e no cheiro da água atingiram milhões de consumidores fluminenses.


O objetivo do sistema é reduzir a quantidade de poluentes despejados nos rios antes que a água chegue à estação de tratamento do Guandu. Além da filtragem de resíduos, o projeto prevê reaproveitamento do lodo retirado dos rios na fabricação de tijolos ecológicos.


O contrato foi firmado em 2021 com previsão inicial de conclusão em apenas oito meses. No entanto, o cronograma sofreu sucessivas alterações e já recebeu seis termos aditivos. Caso o prazo atual seja cumprido, a obra terá levado quase cinco anos para ser finalizada.


Apesar do avanço parcial das intervenções, cerca de R$ 50 milhões ainda deverão ser pagos até o encerramento do contrato.


Contratação sem licitação gera questionamentos


Um dos principais pontos investigados envolve a dispensa de licitação utilizada na contratação da empresa responsável pela obra, a DT Engenharia.


O Inea justificou a contratação direta alegando exclusividade da tecnologia Flotflux, patenteada pela empresa e considerada adequada para o tratamento dos rios. Entretanto, os auditores apontaram que os estudos técnicos utilizados para sustentar a escolha eram baseados em levantamentos realizados no início dos anos 2000.


Segundo o relatório preliminar, a defasagem técnica de aproximadamente duas décadas comprometeria a justificativa da contratação sem concorrência pública, já que outras soluções tecnológicas poderiam ter surgido no período.


A auditoria também identificou fragilidades no planejamento do projeto, ausência de orçamento detalhado e falhas nos mecanismos internos de controle preventivo.


Obra do Rio Ipiranga segue interrompida


Enquanto a unidade instalada no Rio Poços já entrou em operação, a obra da UTR do Rio Ipiranga permanece paralisada após questionamentos do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.


O Inea informou que o atraso está relacionado às desapropriações necessárias para continuidade das obras e à necessidade de avaliações técnicas complementares da área.


Segundo o instituto, o processo segue em análise para definição de reserva orçamentária destinada ao pagamento das indenizações e retomada das intervenções.


Mudanças no comando do Inea


Em meio ao processo de revisão de contratos públicos promovido pelo governo estadual, o governador interino Ricardo Couto realizou mudanças recentes na direção do órgão ambiental.


A engenheira Denise Rambaldi, servidora de carreira, assumiu a presidência do Instituto Estadual do Ambiente em meio às auditorias conduzidas sobre gastos e contratos firmados pela gestão anterior.



 
 
 

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