Aumento de velocidade amplia risco de mortes no trânsito, alerta entidade médica
- Marcus Modesto
- 9 de mar.
- 2 min de leitura
Elevar o limite de velocidade de uma via em apenas 5% pode resultar em um aumento de até 20% no número de mortes entre os usuários que circulam por ela. O alerta é da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego e integra a nova diretriz intitulada Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária.
O documento reúne estudos científicos que apontam a relação direta entre velocidade e gravidade dos acidentes de trânsito. A publicação surge justamente em um momento de debate nacional, após a entrada em vigor da medida provisória que autoriza a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação sem a necessidade de exames de aptidão física e mental em determinados casos.
De acordo com a entidade, qualquer decisão administrativa sobre trânsito precisa considerar os limites do corpo humano diante de impactos. “O corpo humano possui limites biomecânicos que não podem ser ignorados e devem orientar as políticas públicas de trânsito”, destacou a Abramet em nota.
Segundo o presidente da entidade, Antonio Meira Júnior, a nova diretriz mostra que o problema vai além do comportamento de motoristas ou da engenharia das vias.
“Não estamos lidando apenas com regras ou infraestrutura, mas com limites biológicos. Quando esses limites são ultrapassados, mesmo velocidades consideradas legais podem resultar em mortes ou sequelas graves”, afirmou.
Impacto da velocidade
A diretriz aponta que a energia liberada em um acidente cresce de forma exponencial à medida que a velocidade aumenta. Esse impacto supera rapidamente a capacidade fisiológica do corpo de absorver a força da colisão, sobretudo entre usuários mais vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas.
Dados do DataSUS citados no documento indicam que esses três grupos representam mais de 75% das internações hospitalares relacionadas ao trânsito no Brasil.
Outro fator de preocupação destacado pela diretriz é o crescimento da frota de veículos utilitários esportivos, os chamados SUV, que possuem frente mais elevada e aumentam o risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas, mesmo em velocidades moderadas.
Renovação automática da CNH
O documento também aborda a importância da avaliação médica periódica para motoristas, tema que ganhou destaque após a publicação da Medida Provisória 1327/2025, que criou o sistema de renovação automática da CNH para condutores incluídos no Registro Nacional Positivo de Condutores.
Segundo dados oficiais, mais de 323 mil motoristas foram beneficiados na primeira semana da nova regra, gerando uma economia estimada de R$ 226 milhões em taxas e exames.
A Abramet ressalta, porém, que a aptidão para dirigir pode mudar ao longo do tempo devido a fatores como envelhecimento, doenças neurológicas e cardiovasculares, distúrbios do sono e sequelas de traumatismos, condições que podem reduzir significativamente a tolerância do corpo a impactos e desacelerações.
Recomendações
Entre as principais recomendações, a entidade defende que gestores públicos adotem limites de velocidade compatíveis com a capacidade de sobrevivência do corpo humano em caso de colisões, além de ampliar políticas permanentes de controle de velocidade e campanhas educativas voltadas à segurança viária.
Para a Abramet, decisões sobre mobilidade urbana não devem considerar apenas a fluidez do trânsito ou critérios administrativos, mas também as evidências científicas sobre os limites físicos do ser humano diante de acidentes.
Com informações Agência Brasil




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