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Ausência bolsonarista marcará megashow de Lady Gaga em Copacabana

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 2 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

O megashow gratuito da cantora Lady Gaga, marcado para este sábado (3), na Praia de Copacabana, promete reunir mais de 1,6 milhão de pessoas, segundo estimativas da Prefeitura do Rio. No entanto, um dado curioso chama a atenção: a ausência quase total de políticos ligados ao bolsonarismo, que no ano passado compareceram em peso ao espetáculo de Madonna no mesmo local. A informação é da colunista Malu Gaspar, de O GLOBO.


Entre os nomes que prestigiaram o show da rainha do pop em 2023 estavam o governador Cláudio Castro (PL), o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten, o senador Jorge Seif (PL-SC) e o dirigente do PL em Angra dos Reis, Renato Araújo. Neste ano, todos garantem que não irão ao show de Gaga — estrela da turnê Mayhem, que lançou em março e já movimenta cifras bilionárias. A expectativa é de um impacto econômico de R$ 600 milhões para a cidade.


Apesar das justificativas públicas — motivos pessoais, compromissos familiares ou de saúde —, aliados próximos admitem que o real motivo é político. O desgaste causado pela presença no show de Madonna, alvo de críticas da base conservadora devido a performances consideradas “impróprias”, ainda reverbera. “A direita nos detonou”, revelou um interlocutor próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Só daria para ver a Lady Gaga desta vez com peruca e disfarce.”


Na época, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) chegou a tachar o show de Madonna como “satânico” e “pornográfico”. O episódio acendeu o alerta entre os políticos da direita, que agora preferem evitar associação a eventos ligados a artistas com forte posicionamento progressista.


As explicações oficiais variam. Wajngarten, por exemplo, disse que passará o fim de semana em Maresias (SP) e chegou a afirmar que “nem sabia do show”. Renato Araújo alegou desinteresse musical: “Não vou porque não sou fã de Lady Gaga. E nem da Madonna. Naquela ocasião eu estava acompanhando o Fabio. Eu curto sertanejo”. Já o governador Castro vai viajar com a esposa, alegando comemoração de aniversário, sem divulgar o destino. O deputado Aécio Neves ironizou: “Ela não me convidou, não”.


Além do apelo musical, Lady Gaga é figura ativa na política e nos movimentos sociais. Defensora da comunidade LGBTIA+ e crítica ferrenha de Donald Trump — aliado internacional de Bolsonaro —, Gaga declarou apoio à democrata Kamala Harris nas eleições de 2024 e já defendeu publicamente o impeachment do ex-presidente americano. Em fevereiro deste ano, ao receber um Grammy, usou seu discurso para defender a população trans e criticar retrocessos nas políticas de direitos civis nos Estados Unidos.


Com essa trajetória de engajamento social, a estrela pop se afasta das pautas conservadoras e reforça, ao menos simbolicamente, por que a ala bolsonarista

decidiu manter distância das areias de Copacabana neste sábado.




 
 
 

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