Ausência de Lindsey Graham Escancara Isolamento da Comitiva Brasileira nos EUA e Fracasso na Tentativa de Diálogo com Trumpistas
A missão oficial de senadores brasileiros aos Estados Unidos, criada com o objetivo de conter os efeitos das novas tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump ao Brasil, começou tropeçando — e tropeçando feio. O episódio mais simbólico do fiasco diplomático foi a ausência inesperada do senador republicano Lindsey Graham, uma das vozes mais próximas à Casa Branca, que simplesmente não compareceu à reunião marcada com a comitiva brasileira em Washington. Pior: segundo os parlamentares, não houve sequer uma justificativa oficial para o sumiço.
Graham, que recentemente defendeu punições ao Brasil pela compra de petróleo russo, era tido como o elo mais promissor da missão com o núcleo duro do trumpismo. Sua ausência, confirmada apenas no momento da reunião, frustrou expectativas e escancarou o vazio de interlocução do grupo brasileiro com a atual gestão norte-americana.
— Ele ficou de ir e não foi. Agora vai saber o que aconteceu? — ironizou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), coordenador da comitiva, resumindo o tom de perplexidade que tomou conta do grupo.
Segundo apurações, o cancelamento foi motivado por pressões de aliados de Trump, preocupados com a exposição de Graham ao lado de senadores considerados “neutros” ou até simpáticos a adversários do ex-presidente. A política interna norte-americana, movida a disputas ferozes dentro do Partido Republicano, acabou atravessando a pauta da missão brasileira — e deixando o Brasil falando sozinho.
O isolamento ficou ainda mais evidente ao longo da agenda da comitiva: dos nove parlamentares americanos com quem os senadores brasileiros se reuniram, oito eram democratas, críticos de Trump e sem qualquer influência direta sobre o governo. O único republicano presente, Thom Tillis (Carolina do Norte), é considerado marginalizado dentro do próprio partido e já anunciou que não tentará a reeleição. Ou seja, sem Graham, não havia mais pontes efetivas com quem realmente tem voz no atual governo norte-americano.
Diplomacia desarticulada, sabotagem doméstica
A missão também sofreu ataques vindos do próprio Brasil. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou publicamente que estava atuando para “bloquear” avanços nas conversas entre a comitiva e aliados de Trump. A declaração, além de escancarar o racha político interno, também minou a já combalida credibilidade do grupo diante dos republicanos.
Nos bastidores, a situação de Graham ajuda a entender sua postura evasiva. Apesar de ter se tornado um defensor ferrenho de Trump durante o mandato, o senador nunca foi plenamente aceito pela base do movimento “MAGA”, e agora enfrenta possíveis rivais trumpistas nas primárias de 2026. Para evitar desgaste político, preferiu sacrificar a diplomacia em nome da sobrevivência eleitoral.
Missão sem resultados e sem diálogo real
Ao final da semana, o saldo da missão foi pobre: discursos de apoio de senadores democratas e manifestações contrárias às tarifas impostas ao Brasil — seguidas, no entanto, de críticas à política energética brasileira, ecoando o mesmo tom adotado por Graham dias antes. Não houve interlocução com o núcleo estratégico da Casa Branca, tampouco sinal de reversão nas medidas comerciais.
O episódio serve de alerta para o Itamaraty e para o Congresso: não basta enviar missões ao exterior com boas intenções e agendas genéricas. Em um cenário de realinhamento político global, com os EUA sob o domínio de uma ala nacionalista e pragmática, a diplomacia tradicional precisa ser ágil, bem posicionada e, acima de tudo, respaldada internamente. Não foi o que se viu nesta missão.
Se o objetivo era abrir diálogo com o governo Trump, a ausência de Graham foi mais do que um revés: foi um recado. E, ao que tudo indica, o Brasil ainda não sabe com quem falar — nem com que voz.




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