top of page
Buscar

Austeridade em tempos de desconfiança: O aumento da Selic e os desafios da política econômica

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 20 de mar. de 2025
  • 2 min de leitura

O anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre o novo aumento da taxa básica de juros, a Selic, para 14,25%, causou uma forte reação no cenário político e econômico do país. Com um aumento que remete aos piores momentos da crise de 2016, durante o governo Dilma Rousseff, a medida vem com o objetivo de “esfriar” a economia e conter a inflação. No entanto, o impacto dessa alta vai muito além da simples correção de rumos: ela reflete uma postura conservadora do mercado financeiro, que parece não dar ouvidos ao clamor do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que desde o início do mandato cobra uma redução da taxa de juros para impulsionar o crescimento.


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou minimizar o aumento, atribuindo-o a uma “herança” deixada pela administração anterior do Banco Central, sob o comando de nomes indicados por Jair Bolsonaro. Segundo Haddad, os aumentos já estavam “contratados” desde o final do ano passado, quando o Copom sinalizou novas altas da Selic. Mas, apesar de sua tentativa de justificar a decisão, a sensação que fica é a de que o Brasil continua refém de um mercado que impõe limites à economia real, que não se sente confortável com as propostas do governo de buscar um crescimento econômico sustentável, mais voltado para o desenvolvimento social.


O cenário atual não é apenas uma disputa entre metas fiscais e de inflação, mas também um reflexo da desconfiança do mercado em relação às políticas públicas do atual governo. Uma pesquisa recente da Quaest, que apontou uma queda abrupta na aprovação de Haddad, revela um claro distanciamento entre o governo e o mercado financeiro, que, por sua vez, tem se mostrado cada vez mais resistente às mudanças propostas. O levantamento também revelou que 88% dos economistas consultados avaliam negativamente o governo Lula, enquanto a figura do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, se destaca com 45% de aprovação. Isso demonstra que, mesmo com um governo alinhado politicamente com a nomeação de Galípolo, a postura conservadora do mercado se mantém inabalada.


Apesar das críticas à pesquisa e dos argumentos de Haddad sobre a qualificação dos técnicos do BC, o fato é que a politização da economia se reflete diretamente na confiança dos agentes econômicos, que parecem ver qualquer tentativa de alteração da lógica atual com ceticismo. O ministro, ao desqualificar os dados, tentou minimizar o impacto das críticas, mas a verdade é que a avaliação do governo já está sendo observada com cautela, tanto por economistas quanto pela sociedade.


Em um momento onde o Brasil enfrenta desafios imensos, como o cumprimento das metas fiscais e a recuperação econômica pós-pandemia, a falta de uma agenda mais assertiva do mercado financeiro parece ser um obstáculo significativo. O aumento dos juros é, sem dúvida, uma medida imposta por um mercado que prefere a estabilidade à inovação, ignorando as necessidades de um país que precisa gerar emprego, renda e crescimento para a sua população. Resta saber até que ponto o governo conseguirá romper essas barreiras sem perder o apoio popular, que se sente cada vez mais pressionado pela alta dos custos de vida.



 
 
 

Comentários


bottom of page