Avenida Brasil refém da guerra do crime: três jovens executados expõem falência da segurança pública
- Marcus Modesto
- 12 de jan.
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A madrugada desta segunda-feira (12) foi marcada por mais um episódio brutal na Avenida Brasil, uma das principais vias expressas do Rio de Janeiro. Três jovens foram encontrados mortos a tiros, próximos a uma passarela na altura da Vila Kennedy, em Bangu, na Zona Oeste. A Polícia Militar isolou a área para preservar o local do crime, enquanto a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) assumiu a investigação.
O caso não é um fato isolado, mas mais um capítulo de uma rotina de terror que se instalou na região. A Vila Kennedy e seu entorno vivem sob uma escalada constante de violência, impulsionada pela disputa armada entre o Comando Vermelho (CV) e grupos de milicianos que tentam expandir ou retomar o controle territorial. Quem mora, trabalha ou simplesmente transita pela Avenida Brasil passou a conviver com o risco permanente.
Há apenas três semanas, um ataque a tiros durante um evento nas proximidades da quadra da escola de samba Unidos da Vila Kennedy deixou duas pessoas mortas e quatro feridas. Na ocasião, criminosos desceram de um veículo e dispararam contra o público, em plena via pública, sem qualquer constrangimento ou temor de repressão imediata.
O histórico recente reforça o cenário de barbárie. Em novembro de 2025, policiais resgataram um mototaxista mantido em cárcere privado e torturado por traficantes do CV, após ele ser confundido com um miliciano. A vítima foi encontrada amarrada, e os suspeitos conseguiram fugir ao notar a aproximação das equipes policiais. Na mesma operação, a Polícia Civil desmantelou um bunker do tráfico instalado dentro de uma escola, usada pela facção para armazenar drogas e outros materiais ilícitos, transformando um espaço de educação em base criminosa.
Em outubro, vídeos amplamente divulgados nas redes sociais mostraram um intenso tiroteio durante uma suposta invasão de milicianos a uma área dominada pelo CV. Relatos de moradores indicaram a morte de três traficantes, enquanto a população se escondia dentro de casa, refém de uma guerra que não escolheu participar.
A sucessão de mortes, ataques armados e demonstrações explícitas de poder das facções escancara a fragilidade do controle do Estado em áreas estratégicas da cidade. A Avenida Brasil, símbolo da mobilidade e da economia carioca, vem sendo transformada em corredor do medo, onde a vida vale pouco e a violência dita as regras. Enquanto investigações se acumulam e operações pontuais não alteram a realidade local, a população segue abandonada, pagando o preço mais alto dessa disputa criminosa.
Foto Reprodução




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