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Baleados por Engano: A Violência das Rotas Perdidas no Rio de Janeiro

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 25 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

Desde 2016, 53 pessoas foram baleadas após entrarem por engano em comunidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, segundo um levantamento do Instituto Fogo Cruzado. O número revela um problema que vem se agravando, com destaque para o ano de 2024, que concentrou 17 casos. Dessas vítimas, quatro morreram e 13 ficaram feridas.


O perigo atinge principalmente motoristas guiados por aplicativos de navegação que, sem saber, são levados para áreas dominadas por facções criminosas. Em dezembro, o turista argentino Gastón Burlón foi uma das vítimas mais marcantes desse cenário. Levado por um GPS até o Morro dos Prazeres, foi baleado e morreu após um mês internado.


Conflito Armado em Expansão


Grande parte dos episódios aconteceu na cidade do Rio, que registrou 37 vítimas. As tensões entre facções criminosas e milícias têm sido apontadas como a principal causa do aumento da violência, com mais de 70% das operações policiais em 2024 sendo motivadas por confrontos entre grupos rivais.


A expansão territorial das facções e das milícias é alarmante: em 2023, cerca de 18,2% da área urbana da região metropolitana estava sob domínio desses grupos — um aumento significativo em relação a 2008, quando o índice era de 8,8%. Atualmente, o Comando Vermelho (CV) domina mais da metade dessas áreas, seguido pelas milícias, o Terceiro Comando Puro (TCP) e a facção Amigos dos Amigos (ADA).


Barricadas e a Insegurança Cotidiana


As chamadas barricadas — bloqueios montados por criminosos para impedir a entrada da polícia ou de rivais — estão se expandindo além das comunidades, aumentando o risco de motoristas desavisados entrarem por rotas perigosas. A Avenida Brás de Pina, por exemplo, se tornou um caso emblemático desse novo padrão de violência.


Resposta do Estado: Um Desafio de Longo Prazo


O secretário de Segurança Pública do Rio, Victor César dos Santos, anunciou planos para 2025 que incluem a remoção contínua de barricadas, o aumento das operações ostensivas e o reforço no combate às finanças do crime organizado. Segundo ele, enfraquecer a estrutura econômica das facções é a medida mais eficaz para conter seu avanço.


Além disso, a Secretaria de Segurança Pública planeja ampliar ações nas fronteiras, com apoio de agentes federais e da Receita Federal, e renovar parcerias com empresas privadas. A Uber, por exemplo, continuará com a funcionalidade que permite o compartilhamento da localização em tempo real com a polícia.


Conclusão: Um Caminho Arriscado para Soluções Duradouras


Enquanto o Estado tenta retomar o controle dos territórios, a população segue vulnerável a um risco crescente: o de perder-se em meio a uma guerra urbana que transforma trajetos cotidianos em armadilhas mortais. A luta contra o crime organizado no Rio de Janeiro ainda está longe de um desfecho, e o desafio de garantir o direito básico de ir e vir permanece urgente.



 
 
 

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