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Barbárie em Paraty termina em condenação, mas escancara falhas na proteção às vítimas

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 4 horas
  • 2 min de leitura

A condenação de Fernando Evangelista da Silva a 80 anos de prisão pelo assassinato de três crianças e tentativa de feminicídio em Paraty encerra um dos casos mais brutais da região — mas levanta uma pergunta inevitável: o crime poderia ter sido evitado?


O julgamento, concluído nesta terça-feira (31), responsabilizou o réu por incendiar a casa onde vivia com a companheira e os três enteados, em janeiro de 2020. As vítimas, Marya Clara, de 7 anos, Cauãn, de 5, e Marya Alice, de 4, morreram no local. A mãe das crianças sobreviveu, mesmo após inalar grande quantidade de fumaça.


Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o crime foi premeditado. Fernando teria colocado fogo em um colchão na porta de entrada, bloqueando a saída da casa, e fugido após trancar o imóvel. As crianças dormiam no momento do incêndio.


🔥 Crime cruel e sem chance de defesa


As investigações descartaram qualquer versão acidental. Laudos periciais confirmaram que o incêndio foi criminoso, e testemunhos de vizinhos e familiares reforçaram a acusação.


Durante o julgamento, promotores do Grupo de Atuação Especializada do Tribunal do Júri (GAEJURI) sustentaram que o acusado agiu com motivação torpe, relacionada a conflitos no relacionamento e rejeição às crianças.


O Conselho de Sentença reconheceu agravantes graves:

• uso de fogo como meio cruel

• impossibilidade de defesa das vítimas

• assassinato de menores de 14 anos

• tentativa de feminicídio contra a companheira


⚠️ Sinais ignorados


Apesar da condenação, o caso escancara uma realidade recorrente: a violência doméstica que evolui sem intervenção eficaz.


Testemunhas relataram comportamento agressivo do acusado antes do crime. Ainda assim, não houve barreiras suficientes para impedir que a situação chegasse ao extremo.


A pergunta que permanece é incômoda:

👉 quantos sinais foram ignorados antes da tragédia?


Justiça tardia, dor permanente


A sentença representa uma resposta firme do sistema de Justiça, mas não repara a perda irreparável de três crianças.


Casos como este evidenciam que o problema vai além da punição. A atuação preventiva — com proteção efetiva às vítimas, acompanhamento de situações de risco e resposta rápida das autoridades — ainda falha em evitar desfechos extremos.


Um retrato da violência que se repete


O crime em Paraty não é um caso isolado. Ele se soma a uma série de episódios de violência doméstica que escalam até o ponto mais brutal.


A condenação de 80 anos encerra o processo judicial, mas deixa um alerta claro:

sem políticas eficazes de prevenção, a justiça continuará chegando depois — quando já é tarde demais.

Foto Reprodução


 
 
 

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