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Barra Mansa completa 194 anos sob o peso de problemas que não cabem em discurso

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 10 horas
4 min de leitura

Marcus Modesto


Violência, saúde, educação, infraestrutura e falta de perspectivas colocam em xeque o que há, de fato, para comemorar neste 3 de outubro

Barra Mansa completa 194 anos neste sábado, 3 de outubro. Mas, para boa parte da população, a data chega muito mais como um momento de reflexão do que de comemoração.


E não é difícil entender por quê.

A cidade chega ao aniversário convivendo com problemas que fazem parte da rotina de milhares de moradores: insegurança, dificuldades no atendimento de saúde, desafios na educação, problemas de infraestrutura e uma sucessão de situações que alimentam a sensação de que o município está sempre correndo atrás do prejuízo.


E, neste ano, existe ainda um detalhe que simboliza esse clima: nem a tradicional desfile, que durante anos marcou o aniversário de Barra Mansa, será realizada.


Não se trata apenas da ausência de uma festa.

É o retrato de um aniversário que chega sem aquele tradicional momento de celebração popular e com uma pergunta que muita gente pode estar fazendo: o que, afinal, Barra Mansa tem para comemorar?


A violência está na porta


Os números oficiais precisam ser respeitados. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, Barra Mansa registrou 22 homicídios entre janeiro e julho de 2026, contra 33 no mesmo período de 2025. Em agosto, foram dois homicídios, contra oito no mesmo mês do ano anterior.

Mas estatística não pode servir para apagar a realidade das ruas.

Setembro foi marcado por episódios violentos que chamaram a atenção.

No dia 20, um homem de 53 anos foi encontrado morto e carbonizado dentro de um carro incendiado na Vila Coringa. Ao redor do veículo foram encontradas cápsulas de munição calibre 9mm e uma pistola. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

Dois dias depois, um jovem de 19 anos foi assassinado a tiros no bairro Nova Esperança.

E a violência voltou a se repetir pouco mais de 24 horas depois. Na Vila Elmira, um jovem de 24 anos foi morto a tiros. Segundo o Foco Regional, foi o segundo homicídio registrado em pouco mais de 24 horas na cidade.

No mesmo período, um homem foi baleado durante uma discussão em um bar na Santa Izabel, em ocorrência registrada como tentativa de homicídio.

E como se não bastasse, uma sequência de roubos envolvendo criminosos armados manteve quatro vítimas sob domínio dos assaltantes durante cerca de seis horas. Duas mulheres conseguiram fugir após uma colisão e dois homens foram posteriormente libertados em Volta Redonda.

Portanto, mesmo diante da redução registrada nos indicadores oficiais, não há como fingir que a segurança deixou de ser um problema para o barra-mansense.

A estatística pode cair. O medo continua sendo uma experiência concreta para quem vive os episódios de violência.


E a saúde?


Na saúde, a população também continua esperando respostas.

Anúncios de programas, capacitações, novas estruturas e investimentos são importantes, mas não substituem aquilo que o cidadão mais quer quando procura a rede pública: atendimento.

Quem está doente não quer promessa.

Quer consulta.

Quer exame.

Quer especialista.

Quer diagnóstico.

Quer tratamento.

Quer respeito.

Uma administração pública precisa ser medida também pela capacidade de fazer o cidadão chegar ao serviço de saúde e ser atendido sem transformar uma necessidade básica em uma longa peregrinação.


Educação não pode ser tratada como propaganda


Na educação, os números também exigem atenção.

O Ideb de 2025 mostrou avanço nos anos iniciais do ensino fundamental, que chegaram a 6,0. Mas nos anos finais houve queda de 4,9 para 4,6 em relação a 2023.

Isso significa que existe trabalho a ser feito.

Não adianta comemorar apenas os resultados positivos e ignorar os indicadores que apontam dificuldades.

Uma cidade que pretende pensar nos próximos 20 ou 30 anos precisa começar pelas crianças que estão hoje nas salas de aula.

Educação é investimento no futuro, não peça de propaganda para o presente.


A cidade também cobra infraestrutura


E a infraestrutura tratou de dar mais um exemplo nesta semana.

O temporal que atingiu Barra Mansa abriu uma enorme cratera no Verbo Divino. Dois carros caíram no buraco. Segundo a Prefeitura, o problema envolveu uma tubulação de drenagem com cerca de 80 anos.

O episódio expõe uma questão que vai muito além da chuva daquele dia: quanto da infraestrutura da cidade está envelhecida e precisa de manutenção antes que o próximo problema apareça?

Drenagem, pavimentação, iluminação, saneamento e conservação das vias não podem ser tratados apenas depois que alguma coisa quebra.

Prevenção custa dinheiro.

Mas abandono também custa — e muitas vezes custa vidas, patrimônio e sofrimento.


194 anos de história merecem mais


Barra Mansa tem uma história que merece respeito.

Tem gente trabalhadora.

Tem cultura.

Tem comércio.

Tem indústria.

Tem bairros cheios de histórias.

Tem uma população que ama a cidade e continua acreditando nela.

Justamente por isso, o aniversário não pode ser apenas uma data para discursos institucionais.

É também uma oportunidade para cobrar.

Cobrar segurança.

Cobrar saúde.

Cobrar educação.

Cobrar infraestrutura.

Cobrar planejamento.

Cobrar transparência.

Cobrar resultados.

Não é preciso negar os avanços quando eles existem. Mas também não é aceitável transformar qualquer avanço pontual em argumento para esconder aquilo que ainda precisa ser resolvido.

Barra Mansa chega aos 194 anos diante de uma escolha: continuar comemorando apenas a cidade que foi ou começar a construir, de maneira mais efetiva, a cidade que seus moradores esperam encontrar no futuro.

Neste 3 de outubro, talvez a pergunta mais honesta não seja simplesmente “o que vamos comemorar?”.

o que precisamos mudar para que, no próximo aniversário, o barra-mansense tenha muito mais motivos para comemorar?

Porque Barra Mansa merece parabéns por sua história.

Mas merece, acima de tudo, respostas para o seu presente.



 
 
 

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