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Barra Mansa sangra enquanto Furlani insiste no discurso das redes sociais

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 47 minutos
2 min de leitura

Marcus Modesto

Mais um jovem é assassinado, população vive com medo e os números colocam o município entre os mais violentos do estado


Barra Mansa voltou a registrar um homicídio nesta terça-feira (22). Luiz Henrique Oliveira de Almeida, de 19 anos, foi morto a tiros no bairro Nova Esperança. O crime está sendo investigado pela Polícia Civil, que ainda busca esclarecer a autoria e a motivação.


Mais do que uma ocorrência policial, o assassinato expõe novamente uma ferida que Barra Mansa não consegue esconder: a sensação de insegurança tomou conta da população.


Os números ajudam a dimensionar o problema. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referentes a 2025, apontaram Barra Mansa com taxa de 37,4 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, a segunda maior entre os municípios fluminenses com mais de 100 mil moradores. Foram 63 homicídios no ano.


Levantamento da Firjan, também baseado em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), mostra outro dado preocupante: a taxa de letalidade violenta do município passou de 18,3 por 100 mil habitantes em 2015 para 37,4 em 2025, mais que dobrando em uma década. Em 2025, foram 68 registros de letalidade violenta.


É diante desse cenário que uma pergunta precisa ser feita ao prefeito Luiz Furlani: qual é, de fato, a estratégia da Prefeitura para enfrentar a insegurança que atormenta os moradores?


Porque discurso em rede social não substitui política pública.


Furlani aparece constantemente na internet anunciando ações, fazendo vídeos e apresentando uma cidade que, muitas vezes, parece existir apenas nas telas. Mas para quem precisa sair cedo de casa, voltar à noite, levar os filhos à escola ou simplesmente caminhar pelas ruas de Barra Mansa, a realidade é outra.


A Prefeitura afirma ter realizado investimentos em tecnologia, viaturas, monitoramento e capacitação da Guarda Municipal e cita reduções em alguns indicadores criminais em períodos específicos.  Mas esses anúncios precisam ser confrontados com o quadro mais amplo da violência letal e, principalmente, com aquilo que o cidadão sente diariamente nas ruas.


E existe uma diferença fundamental que não pode ser ignorada: a segurança pública é responsabilidade constitucional do Estado, especialmente das polícias Militar e Civil. Mas isso não significa que o município possa simplesmente assistir de braços cruzados. A Prefeitura tem responsabilidades e instrumentos importantes em prevenção, iluminação pública, ordenamento urbano, Guarda Municipal, videomonitoramento, políticas para juventude, ocupação de espaços públicos e articulação permanente com as forças estaduais.


O que a população não pode aceitar é transformar segurança em postagem.


Cada homicídio representa uma família destruída. Cada tiroteio alimenta o medo. Cada rua evitada por causa da violência mostra que a cidade está perdendo algo muito maior do que a tranquilidade: está perdendo a liberdade de seus moradores.


Barra Mansa precisa de menos propaganda e mais resultado.


O assassinato de um jovem de 19 anos no Nova Esperança não pode ser tratado apenas como mais uma ocorrência policial registrada na 90ª DP. É mais um episódio que coloca diante do poder público uma cobrança legítima da população: até quando?


A cidade precisa de planejamento, integração com o governo estadual, prevenção, inteligência, presença nas ruas e transparência sobre os resultados.


Enquanto isso não acontecer, Furlani pode continuar produzindo vídeos para a internet. Mas a realidade de Barra Mansa continuará falando mais alto do que qualquer postagem.

Foto Reprodução



 
 
 

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