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Barra Mansa tem quase 146 anos de feira livre, mas perdeu o protagonismo para Volta Redonda

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 2 minutos
3 min de leitura

Marcus Modesto

Enquanto a cidade vizinha ampliou, organizou e valorizou suas feiras, Barra Mansa parece ter se acomodado a uma estrutura limitada.


Uma tradição centenária merece muito mais do que barracas espalhadas pelos bairros e pouca atenção do poder público.

Barra Mansa tem motivos históricos para se orgulhar de sua feira livre. A tradição remonta a 7 de setembro de 1880, quando foi inaugurada a primeira feira do município, no entorno do Jardim das Preguiças.

Naquele tempo, a administração pública chegou a construir 24 barracas para os comerciantes, que pagavam 500 réis pelo espaço. A feira acontecia aos domingos e dias santos e já tinha regras próprias de funcionamento.

Acervo Marcus Modesto


Quase um século e meio depois, a pergunta que precisa ser feita é incômoda: o que Barra Mansa fez para preservar, modernizar e valorizar esse patrimônio popular?


A feira continua existindo, os feirantes continuam trabalhando e muitas famílias ainda mantêm suas barracas há décadas. Mas reconhecer a dedicação desses trabalhadores não significa fechar os olhos para a falta de evolução da estrutura oferecida à população.


Atualmente, Barra Mansa mantém feiras em cinco pontos: Centro, Boa Sorte, Saudade, Ano Bom e Vila Nova, de quarta-feira a domingo. Há verduras, legumes, queijos, produtos diversos, pastéis e caldo de cana. Existe tradição, existe história e existe gente que depende dessa atividade para sobreviver.


O problema é que tradição, sozinha, não é sinônimo de desenvolvimento.

Volta Redonda entendeu que feira livre também é patrimônio, comércio, lazer e identidade urbana. Barra Mansa parece ter ficado para trás.


A comparação com a cidade vizinha é inevitável. Em Volta Redonda, as feiras funcionam de segunda-feira a domingo, distribuídas por diferentes bairros. A estrutura municipal prevê 360 unidades de venda cadastradas, segundo dados divulgados pela própria Prefeitura em 2017.


Mais do que isso: em dezembro de 2016, Volta Redonda aprovou a Lei Municipal nº 5.278, que determinou o tombamento histórico e cultural de sua feira livre. Ou seja, reconheceu oficialmente a importância de uma atividade que movimenta a economia, preserva costumes e proporciona convivência entre moradores.


Em Barra Mansa, a discussão sobre a valorização dessa tradição também chegou à Câmara Municipal. Em 2026, foi aprovado o Projeto de Lei nº 30, de autoria do vereador Klévis Farmacêutico, para regulamentar as feiras livres. Outro projeto, de número 31, propôs reconhecer a atividade como patrimônio cultural imaterial do município, mas ainda constava em tramitação no levantamento legislativo consultado.


É uma discussão importante, mas não pode ficar restrita ao papel.

A cidade precisa discutir a qualidade das barracas, a padronização dos espaços, a limpeza, a organização, a segurança, a infraestrutura, a fiscalização e, principalmente, a criação de atrativos capazes de trazer novos consumidores.


Por que não investir em uma feira mais estruturada, com espaços gastronômicos, artesanato, produtos de agricultores locais, apresentações culturais e melhores condições de trabalho para os feirantes?


Por que não transformar a feira do Centro em um verdadeiro ponto de encontro, capaz de atrair moradores de outras cidades e movimentar o comércio?

O poder público precisa compreender que uma feira livre não é simplesmente um conjunto de barracas montadas em determinadas ruas durante algumas horas. É uma atividade econômica que gera renda, preserva relações sociais e mantém viva parte da memória de uma cidade.


E aqui está a contradição: Barra Mansa tem uma história muito mais antiga nesse segmento, mas não conseguiu transformar essa vantagem histórica em referência regional.


Não se trata de desmerecer os feirantes. Pelo contrário. São eles que mantêm a tradição viva, muitas vezes enfrentando dificuldades, sol, chuva e condições de trabalho que poderiam ser melhores. A crítica é dirigida à falta de uma política pública mais ambiciosa para o setor.

Uma cidade que teve sua primeira feira oficialmente inaugurada em 1880 não deveria tratar essa atividade como um compromisso burocrático de calendário.


Barra Mansa precisa olhar para Volta Redonda e entender que não basta manter uma tradição funcionando. É preciso fazê-la crescer.

É vergonhoso que uma cidade com quase 146 anos de história de feira livre tenha chegado a este ponto de acomodação. A feira não precisa apenas sobreviver. Precisa voltar a ser motivo de orgulho para Barra Mansa.

Foto Divulgação


 
 
 

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