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Barra Mansa vai investir mais de R$ 21 milhões em dois Natais: quanto desse dinheiro poderia transformar a vida da população?

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 1 hora
3 min de leitura

oração natalina consumirá aproximadamente R$ 21,5 milhões. Enquanto árvores e iluminação serão desmontadas depois das festas, moradores continuam esperando uma solução para a travessia da linha férrea na Rua Duque de Caxias.


Barra Mansa está diante de uma discussão que vai muito além das luzes de Natal. Nos últimos dois anos, os investimentos destinados à decoração natalina somam aproximadamente R$ 21,5 milhões. Foram cerca de R$ 8,687 milhões no Natal de 2025 e mais R$ 12,889 milhões previstos para a edição de 2026.


Faça as contas: R$ 21.576.000 em apenas dois anos.


É um volume de dinheiro público que merece uma discussão séria sobre prioridades. Afinal, o que uma cidade como Barra Mansa poderia fazer com mais de R$ 21 milhões em investimentos permanentes?


Enquanto a Prefeitura prepara uma decoração milionária, com uma árvore musical cujo valor homologado chega a R$ 1,7 milhão, moradores continuam convivendo com problemas antigos que afetam diretamente a qualidade de vida.


Um dos exemplos mais claros está na travessia da linha férrea, na região da Rua Duque de Caxias. Pedestres precisam aguardar a passagem dos trens para conseguir atravessar. São trabalhadores, idosos, estudantes, pessoas com deficiência e moradores que enfrentam diariamente uma situação que exige uma solução definitiva.


Por que não investir em uma passagem subterrânea?


Com um planejamento adequado, os recursos destinados a grandes eventos poderiam também ser direcionados para projetos de mobilidade urbana. Uma passagem subterrânea, com iluminação, drenagem, câmeras e acessibilidade, poderia oferecer mais segurança aos pedestres e acabar com a dependência da passagem dos trens para realizar a travessia.


Outra alternativa seria uma passarela ou viaduto moderno, com elevadores para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Não basta construir uma estrutura: ela precisa permitir que todos possam atravessar com segurança e dignidade.


É importante reconhecer que o custo de uma obra desse porte depende de estudos de engenharia, sondagem do solo, drenagem e autorização dos órgãos responsáveis pela ferrovia. Não há orçamento técnico que permita afirmar que os R$ 21,5 milhões seriam suficientes para concluir a passagem subterrânea. Mas esse montante permitiria discutir seriamente um projeto, iniciar estudos e buscar recursos para tirar uma solução do papel.


E quanto custa o tempo que o cidadão perde esperando o trem?


Imagine um morador que perca dez minutos por dia aguardando a passagem dos trens. Em um ano, considerando uma travessia diária, são mais de 60 horas desperdiçadas. Se a espera chegar a vinte minutos por dia, são mais de 120 horas.


É tempo que poderia ser utilizado para trabalhar, descansar, estudar ou ficar com a família. E não estamos falando apenas de tempo: estamos falando de segurança e do risco a que os pedestres ficam expostos.


Mas a discussão não termina na ferrovia.


Com mais de R$ 21 milhões, Barra Mansa poderia avaliar investimentos em unidades de saúde, reformas de escolas, equipamentos públicos, acessibilidade, melhorias na infraestrutura dos bairros e outras necessidades que permanecem durante todo o ano.


É dinheiro que poderia ajudar a construir um legado para a cidade.


Isso não significa ser contra o Natal. A população merece decoração, lazer, cultura e atividades que movimentem o comércio. O que precisa ser discutido é a dimensão desses gastos. É possível celebrar o Natal com uma decoração bonita, organizada e mais econômica, sem transformar a festa em um dos maiores compromissos financeiros da administração.


A diferença é simples: a decoração é temporária. Ela é montada, encanta durante algumas semanas e depois é retirada. Uma passagem segura, uma escola reformada ou uma unidade de saúde equipada continuam servindo à população por muitos anos.


O prefeito Luiz Furlani precisa explicar os critérios que justificam investimentos dessa dimensão e mostrar quais benefícios permanentes esses gastos deixam para Barra Mansa. A Câmara Municipal também tem a responsabilidade de fiscalizar os contratos e cobrar transparência.


Mais de R$ 21 milhões em dois anos. Essa é a dimensão da discussão.


Barra Mansa precisa decidir se quer concentrar tantos recursos em estruturas que desaparecem depois das festas ou se pode equilibrar a decoração natalina com investimentos que resolvam problemas históricos.


Porque, quando as luzes forem apagadas e a árvore for desmontada, o pedestre continuará diante da linha férrea. O idoso continuará precisando atravessar a cidade. O aluno continuará dependendo da estrutura da escola. E o paciente continuará precisando de atendimento.


O Natal passa. Os problemas ficam.


A população tem o direito de perguntar: o que poderia ter sido feito por Barra Mansa com R$ 21,5 milhões investidos em melhorias permanentes?

Foto IA


 
 
 

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