Blocos de Carnaval no Rio e em São Paulo trazem protestos e homenagens à democracia
O tom político marcou os desfiles de diversos blocos de rua no Rio de Janeiro e em São Paulo neste sábado (1º). Com gritos de “sem anistia”, foliões se posicionaram contra a possibilidade de perdão aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando extremistas invadiram e depredaram os Três Poderes, em Brasília. Além das críticas políticas, também houve espaço para homenagens a figuras importantes da luta pela democracia no país.
Em São Paulo, o Jegue Elétrico, que celebrou seu 25º aniversário, entoou um refrão repetido por centenas de foliões: “sem anistia, tem que acabar com essa mania”. Fundado pelo músico Emerson Boy, o bloco é conhecido por suas marchinhas de protesto e, neste ano, reforçou sua oposição às propostas de anistia defendidas por parlamentares bolsonaristas.
Outro bloco que misturou festa e protesto foi o Minhoqueens, criado pela drag queen Mama Darling. Em meio a sucessos do funk e pop, foliões gritavam frases como “ele preso” e “sem anistia para golpista”, expressando indignação contra a impunidade dos envolvidos nos atos de vandalismo em Brasília.
No Rio, o Bloco da Terreirada foi além das críticas ao cenário atual e prestou homenagem a Eunice Paiva, símbolo da luta pela memória dos desaparecidos políticos da ditadura militar. Sua história, recentemente retratada no filme “Ainda Estou Aqui”, foi lembrada por foliões que também exaltaram nomes como Paulo Freire, referência na educação brasileira. O evento, realizado no parque Quinta da Boa Vista, reuniu jovens e famílias em uma celebração que mesclou cultura nordestina, forró e manifestações políticas.
O Carnaval de 2025 mostrou que, para muitos blocos, a folia e a conscientização andam lado a lado. Em um cenário de polarização política, as ruas continuam sendo espaço para reivindicações e para manter viva a memória histórica do país.




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