Bolsonaro tentou vender relógios de luxo para pagar indenização a Maria do Rosário: um retrato do desrespeito à ética
- Marcus Modesto
- 19 de fev. de 2025
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A delação premiada de Mauro Cid trouxe mais um episódio lamentável envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): a tentativa de vender relógios de luxo recebidos como presentes oficiais para cobrir despesas pessoais, incluindo a indenização judicial por danos morais à deputada Maria do Rosário (PT-RS). O caso expõe não apenas uma conduta antiética, mas um padrão de comportamento que sempre flertou com a apropriação indevida de bens públicos.
Segundo Cid, Bolsonaro, preocupado com dívidas e multas de trânsito acumuladas durante seu mandato, viu nos presentes luxuosos uma saída para arrecadar dinheiro rapidamente. A decisão de tentar vender um Rolex de ouro branco, presenteado pela Arábia Saudita, revela o completo desapego às normas que regem a administração pública e o tratamento de bens recebidos em função do cargo.
A tentativa de transformar presentes institucionais em patrimônio pessoal não pode ser tratada como um deslize ingênuo. Trata-se de uma conduta que afronta princípios básicos de integridade e transparência. Um chefe de Estado que age como se os bens da República fossem sua propriedade particular escancara a sua visão patrimonialista do poder.
O episódio é ainda mais simbólico por envolver a indenização a Maria do Rosário. A condenação decorreu de uma fala machista e violenta de Bolsonaro, que afirmou, em 2014, que não a estupraria porque ela “não merecia”. Ao tentar se livrar da obrigação judicial com dinheiro obtido por meios duvidosos, ele reafirma sua postura de desrespeito às instituições e ao ordenamento jurídico do país.
Esse caso não pode ser visto como isolado. Ele se soma a uma série de denúncias de uso privado da máquina pública e reforça a necessidade de responsabilização de ex-mandatários que tratam o governo como um balcão de negócios pessoais. O Brasil não pode mais tolerar governantes que confundem o público com o privado.




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