Bolsonaro Volta a Atacar o Sistema Eleitoral às Vésperas de Denúncia da PGR
- Marcus Modesto
- 15 de fev. de 2025
- 3 min de leitura
Às vésperas da Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar denúncia contra ele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) retomou os ataques ao sistema eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em uma live transmitida neste sábado (15) com apoiadores brasileiros que moram nos Estados Unidos. Em sua fala, Bolsonaro repetiu acusações sem provas e distorceu informações para reforçar sua narrativa de suposta fraude nas eleições de 2022.
O ex-presidente afirmou, sem apresentar qualquer evidência, que o TSE teria recebido recursos de outro país para promover a campanha de incentivo ao alistamento eleitoral de jovens de 16 anos. “Eles [TSE] fizeram uma campanha, aí sim, pode ter dinheiro de fora”, declarou. A iniciativa mencionada por Bolsonaro ocorre tradicionalmente em anos eleitorais e não foi uma exclusividade de 2022.
Ele ainda sugeriu que a campanha teria garantido “dois milhões de votos para Lula” e que jovens dessa faixa etária costumam votar na esquerda. Não há qualquer indício de que o incentivo ao voto juvenil tenha favorecido um candidato específico, e a campanha do TSE seguiu práticas comuns de conscientização cívica adotadas em democracias consolidadas.
Postura Agressiva e o Medo da Denúncia
Essa é uma das primeiras vezes que Bolsonaro retoma o tom agressivo contra o Judiciário desde que se tornou inelegível. Durante a live, ele voltou a questionar sua derrota nas eleições e reclamou de restrições impostas durante a campanha de 2022. “Não pude mostrar o Lula numa comunidade aqui tomada pelo tráfico, onde ele entra sem segurança nenhuma, usa um boné típico da facção criminosa local”, disse, referindo-se à polêmica sobre o boné com a sigla “CPX” usado por Lula no Complexo do Alemão. Na realidade, CPX é apenas uma abreviação de “complexo”, sem qualquer vínculo com facções criminosas, como bolsonaristas tentam insinuar desde a eleição.
A mudança de postura do ex-presidente acontece em um momento delicado para ele. Aliados esperam que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresente a denúncia antes do Carnaval, e Bolsonaro já estaria preparando sua defesa política, tentando se colocar como vítima de perseguição judicial. Caso condenado à pena máxima pelos crimes investigados, Bolsonaro pode enfrentar até 28 anos de prisão.
Fake News e Conspirações
Durante a live, Bolsonaro também voltou a espalhar desinformação sobre vacinas contra a Covid-19. “Muita gente me agradece nas ruas por não ter tomado essa vacina”, afirmou, insistindo na falsa alegação de que pessoas não imunizadas teriam menos chance de contrair ou morrer da doença. Essa afirmação vai contra todas as evidências científicas e estatísticas globais, que comprovam a eficácia das vacinas na redução de casos graves e óbitos.
Além disso, Bolsonaro reforçou a teoria da conspiração envolvendo a Usaid, agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. Segundo ele, sua derrota só aconteceu porque a agência financiou ações contra a desinformação no Brasil. A teoria tem origem em declarações sem provas de Mike Benz, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, e ignora o fato de que a Usaid, fundada em 1961, tem como principal função atuar em projetos humanitários e assistenciais ao redor do mundo.
A Volta da Velha Estratégia
A estratégia de Bolsonaro é clara: retomar o discurso que mobilizou sua base antes das eleições de 2022 e tentar criar um ambiente de desconfiança sobre o sistema eleitoral e o Judiciário, justamente no momento em que sua situação jurídica se complica. O ex-presidente tenta reativar a polarização e fortalecer seu papel como líder de oposição, mas, dessa vez, enfrenta um cenário mais desfavorável, sem mandato e com investigações avançando contra ele.
Se a denúncia da PGR realmente for apresentada nos próximos dias, a retórica adotada na live pode ser apenas um prenúncio de uma escalada ainda maior nas suas declarações e ataques às instituições democráticas.




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