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Brasil avança na luta contra a dengue com primeira vacina nacional

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 27 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

O anúncio da Butantan-DV, a primeira vacina contra a dengue produzida no Brasil, representa um avanço significativo no combate à doença. Além da produção nacional, a vacina trará benefícios como o aumento no volume de doses disponíveis, a aplicação em dose única e a possibilidade de ampliação do público-alvo, segundo Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).


Apesar do avanço, os 60 milhões de doses previstas para 2026 ainda serão insuficientes para imunizar toda a população, exigindo a definição de um grupo prioritário pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Atualmente, a única vacina disponível nos postos de saúde é a QDenga, da farmacêutica japonesa Takeda, aplicada apenas em adolescentes de 10 a 14 anos em municípios com alta incidência da doença.


Vacina pode beneficiar idosos


Mônica Levi ressalta a importância de incluir os idosos nos estudos da Butantan-DV. Embora adolescentes sejam mais hospitalizados com quadros graves, são os idosos os mais vulneráveis à mortalidade. “Nos estudos das vacinas já disponíveis, a faixa etária acima de 60 anos não foi contemplada. Porém, no projeto anunciado, há pesquisas com outras idades, o que pode garantir a inclusão desse grupo no futuro”, afirma.


Outro fator que pode aumentar a adesão à imunização é a aplicação em dose única. “Vacinas que exigem múltiplas doses costumam ter uma taxa menor de adesão nas etapas seguintes. Com uma única dose, as campanhas de vacinação se tornam mais eficazes”, explica Levi.


A Butantan-DV foi desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA e a farmacêutica MSD e será produzida em conjunto com a empresa WuXi Biologics. Apesar dessas colaborações, a vacina é considerada 100% nacional, pois todas as etapas de produção ocorrerão no Brasil, garantindo mais autonomia e reduzindo o risco de desabastecimento.


Alta eficácia e desafios futuros


A Butantan-DV é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Em testes, demonstrou 79,6% de eficácia geral e 89,2% entre pessoas que já tiveram a doença. No momento, a vacina aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser incorporada ao plano de imunização do país.


No entanto, especialistas alertam que a vacina não elimina a necessidade de medidas preventivas, como o combate ao mosquito Aedes aegypti. “A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa, então a imunização não cria uma barreira coletiva, como ocorre com outras doenças. Ainda será fundamental o controle ambiental para reduzir a transmissão”, reforça Levi.


Até o momento, o Brasil já registrou mais de 439 mil casos prováveis de dengue em 2025, com 177 mortes confirmadas. Embora os números de janeiro tenham sido menores que os do mesmo mês no ano passado, a preocupação com surtos permanece. A chegada da Butantan-DV pode ser um divisor de águas, mas o combate à dengue ainda exige esforço conjunto entre governo e população.


Foto Paulo Pinto/Agência Brasil


 
 
 

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