Brasil quer usar tecnologia blockchain para facilitar comércio no Brics
- Marcus Modesto
- 12 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
O Brasil pretende aproveitar sua presidência rotativa no Brics em 2025 para avançar em uma proposta que visa facilitar as transações financeiras internacionais entre os países do bloco, utilizando a tecnologia blockchain. A iniciativa busca reduzir os custos e aumentar a eficiência nos pagamentos de importações e exportações, sem criar uma moeda comum ou substituir o dólar, segundo membros do governo.
A proposta se insere no eixo de facilitação do comércio e investimentos, um dos seis temas prioritários do Brasil na liderança do Brics. Atualmente, o bloco é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos membros como Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia.
Apesar das declarações anteriores do presidente Lula sobre a necessidade de alternativas ao dólar, autoridades brasileiras reforçam que a iniciativa não tem como objetivo enfraquecer a moeda norte-americana nem provocar tensões com os Estados Unidos. A cautela vem em resposta a ameaças feitas por Donald Trump, que em seu retorno à Casa Branca sinalizou com tarifas de 100% contra países que busquem substituir o dólar em suas trocas comerciais.
Blockchain no centro da estratégia
A ideia brasileira é construir um sistema baseado em blockchain para facilitar as transações financeiras, aproveitando a experiência do Banco Central (BC) com o Drex – versão digital do real. No entanto, a implementação da tecnologia enfrenta desafios técnicos relacionados à segurança e à privacidade, segundo avaliação do próprio BC.
Outra alternativa em estudo é a integração de sistemas semelhantes ao Pix para simplificar os pagamentos internacionais. Contudo, essa proposta esbarra em questões de governança e em preocupações com a soberania de cada país.
Agenda de longo prazo
O governo reconhece que a agenda é complexa e de longo prazo, mas espera avançar em um consenso durante a reunião de chefes de Estado do Brics, que acontecerá em julho, no Rio de Janeiro.
Lula já defendeu publicamente a criação de mecanismos financeiros que reduzam a dependência do dólar. Em 2023, após a cúpula do Brics na África do Sul, o presidente argumentou que a escalada do protecionismo global reforça a importância de uma maior integração financeira entre os países emergentes.
— Não se trata de substituir nossas moedas, mas é preciso trabalhar para que a ordem multipolar que almejamos se reflita no sistema financeiro internacional — afirmou Lula, destacando a importância de linhas de crédito em moedas locais para beneficiar pequenas e médias empresas.




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