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Brasil registra quase 24 mil desaparecimentos de crianças e adolescentes em 2025 e acende alerta nacional

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

O Brasil fechou o ano de 2025 com 23.919 registros de desaparecimento de crianças e adolescentes, segundo dados enviados pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O levantamento, divulgado pelo g1, revela uma média preocupante de 66 desaparecimentos de menores de 18 anos por dia, número 8% maior do que o registrado em 2024, quando a média diária era de 60 casos.


Os dados expõem a dimensão do problema e reforçam a complexidade do fenômeno. A legislação brasileira adota um conceito amplo: a Lei nº 13.812/2019, que instituiu a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, define como desaparecida toda pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da causa.


Meninas são maioria entre os desaparecidos


Entre os registros de 2025, 61% das vítimas eram do sexo feminino, o equivalente a 14.658 meninas e adolescentes. Os meninos representaram 38% dos casos, com 9.159 ocorrências, enquanto em 102 registros o sexo não foi informado.


O Painel Nacional de Pessoas Desaparecidas e Localizadas mostra que essa predominância feminina é característica específica da infância e adolescência. Quando analisados desaparecimentos em todas as faixas etárias, o cenário se inverte: 59% dos casos envolvem homens.


Para a coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, Iara Buono Sennes, a diferença entre os sexos chama atenção, mas ainda não permite conclusões definitivas. Segundo ela, a dificuldade em identificar as causas e circunstâncias dos desaparecimentos limita análises mais profundas. A avaliação é de que a política pública ainda é recente e depende de maior integração entre União e estados para compreender recortes regionais e de gênero.


Casos que mobilizam comunidades e o papel do Alerta Amber


Alguns episódios recentes ilustram como esses desaparecimentos afetam comunidades inteiras. No Maranhão, o sumiço dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, mobilizou moradores do povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. As crianças desapareceram em 4 de janeiro e, no dia 26, as buscas já haviam entrado na quarta semana.


O caso conta com apoio do Alerta Amber, protocolo acionado em situações consideradas de alto risco. Implantado no Brasil em 2023, o sistema permite a divulgação rápida de informações e imagens das crianças desaparecidas em redes sociais como Facebook e Instagram, alcançando um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento. De acordo com especialistas, a ferramenta tem ampliado as chances de localização em casos críticos.


Estados com maiores índices proporcionais


Ao observar as taxas proporcionais de desaparecimento de crianças e adolescentes, Roraima lidera o ranking nacional, com 40 casos a cada 100 mil habitantes, seguido por Rio Grande do Sul (28) e Amapá (24). As diferenças regionais reforçam a necessidade de estratégias específicas, adaptadas às realidades locais, tanto na prevenção quanto na resposta rápida.


Desaparecimentos crescem após a pandemia


Considerando todas as idades, o Brasil registrou mais de 84 mil pessoas desaparecidas em 2025, o maior número desde o início da série histórica do painel, em 2015. A taxa nacional foi de 39 casos por 100 mil habitantes. Durante a pandemia de Covid-19, os registros haviam apresentado queda, tendência que se reverteu de forma intensa nos últimos anos.


São Paulo concentra o maior volume absoluto


Em números absolutos, São Paulo aparece na liderança, com 20.546 registros, o que corresponde a cerca de 24% de todos os desaparecimentos do país em 2025. A taxa estadual é de 44,59 casos por 100 mil habitantes. Na sequência estão Minas Gerais (9.139 casos) e Rio Grande do Sul (7.611).


Em termos proporcionais, novamente Roraima se destaca negativamente, com 78 desaparecimentos por 100 mil habitantes, seguido pelo Distrito Federal (74,58).


Ranking dos estados com mais desaparecimentos em 2025

São Paulo: 20.546 casos (44,59 por 100 mil habitantes)

Minas Gerais: 9.139 (42,72)

Rio Grande do Sul: 7.611 (67,75)

Paraná: 6.455 (54,29)

Rio de Janeiro: 6.331 (36,76)

Santa Catarina: 4.317 (52,73)

Bahia: 3.929 (26,42)

Goiás: 3.631 (48,91)

Pernambuco: 2.745 (28,71)

Ceará: 2.578 (27,81)

Espírito Santo: 2.421 (58,66)

Distrito Federal: 2.235 (74,58)

Mato Grosso: 2.112 (54,24)

Pará: 1.238 (14,21)

Maranhão: 1.182 (16,84)

Rondônia: 1.018 (58,11)

Amazonas: 982 (22,72)

Paraíba: 929 (22,31)

Rio Grande do Norte: 775 (22,43)

Piauí: 744 (21,98)

Alagoas: 729 (22,63)

Sergipe: 728 (31,66)

Tocantins: 609 (38,38)

Roraima: 577 (78,1)

Acre: 413 (46,7)

Amapá: 408 (50,59)

Mato Grosso do Sul: 378 (12,92)


Os números reforçam um alerta nacional: o desaparecimento de crianças, adolescentes e adultos segue em crescimento e exige políticas públicas mais integradas, investimentos contínuos e respostas rápidas para evitar que estatísticas se transformem em tragédias permanentes.



 
 
 

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