Brasil resiste à pressão de Trump e expõe limites da influência americana na América Latina
- Marcus Modesto
- 28 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Enquanto o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensifica sua tentativa de impor condições políticas e econômicas aos países do continente americano, o Brasil surge como um contraponto incômodo para Washington. Diferente de nações como México, Canadá, Colômbia e Panamá — que, segundo reportagem do The New York Times, têm cedido a pressões para evitar sanções — o governo brasileiro vem reiterando publicamente sua soberania e rejeitando acordos impostos.
A estratégia de Trump, em seu segundo mandato, tem sido descrita pelo jornal americano como confronto direto: tarifas punitivas, ameaças e exigências destinadas a controlar desde alianças comerciais até investigações internas de outros países. No caso brasileiro, o ponto de atrito é explícito: o republicano tenta barrar o avanço das ações judiciais contra Jair Bolsonaro, aliado próximo e ex-presidente, investigado por tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Para forçar uma solução favorável a Bolsonaro, Trump ameaçou impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, o que levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reagir de imediato. “Ele foi eleito para cuidar do povo americano. O povo brasileiro sabe cuidar de si mesmo”, declarou Lula, num recado que expôs o desconforto diplomático.
STF reforça independência e amplia tensão
A reportagem destaca que, enquanto países vizinhos cederam em temas como imigração e comércio com a China, o Brasil seguiu na direção oposta. O Times cita a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter as investigações contra Bolsonaro e determinar o uso de tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente — um gesto institucional que contraria abertamente as pressões vindas de Washington.
Além disso, o Planalto já sinalizou que poderá adotar tarifas de retaliação caso as ameaças de Trump sejam concretizadas.
Um teste para a política externa dos EUA
Para o The New York Times, a postura brasileira representa mais do que um episódio diplomático isolado: ela pode se transformar em um teste para medir até onde Trump está disposto a avançar quando um país latino-americano simplesmente se recusa a obedecer.
Se, por um lado, o movimento reafirma a independência nacional, por outro revela o risco de uma escalada comercial e política que pode atingir setores estratégicos da economia brasileira.




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