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Brasil segue dividido sobre prisão de Bolsonaro, aponta Datafolha; maioria acredita que ele escapará

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 2 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Uma nova pesquisa do instituto Datafolha revela que o Brasil continua profundamente dividido em relação ao futuro judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o levantamento, 48% dos entrevistados desejam que ele seja preso por seu envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2022, enquanto 46% defendem que ele permaneça em liberdade. A diferença está dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais.


Apesar do equilíbrio nas opiniões, a percepção predominante é de que Bolsonaro conseguirá evitar a prisão. Para 51% dos brasileiros, ele não será condenado; outros 40% acreditam no desfecho oposto, e 6% preferiram não opinar. A sondagem foi realizada nos dias 29 e 30 de julho, em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, com repercussões diretas no caso.


Pressões internacionais e embates com os EUA


O atual presidente norte-americano, Donald Trump, tem usado o julgamento de Bolsonaro como exemplo de suposta perseguição política. A narrativa vem sendo utilizada como justificativa para medidas protecionistas, como o aumento de tarifas a produtos brasileiros — uma retaliação que, segundo diplomatas, tem mais caráter ideológico do que comercial.


Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, se mudou recentemente para os Estados Unidos, onde lidera uma ofensiva por anistia internacional ao pai. Ele tem buscado apoio de parlamentares republicanos e influenciadores conservadores ligados à campanha de reeleição de Trump.


Quadro estável e leve oscilação nos índices


Comparada à última pesquisa, feita em abril, a nova rodada do Datafolha mostra uma leve queda no número de brasileiros que apoiam a prisão de Bolsonaro — eram 52%, agora são 48%. Já os que defendem sua liberdade subiram de 42% para 46%.


A percepção sobre o resultado do julgamento, previsto para setembro no Supremo Tribunal Federal (STF), manteve-se praticamente estável: 51% acreditam que o ex-presidente escapará da condenação, número semelhante aos 52% registrados em abril.


Entre os eleitores de classe média baixa, moradores do Sul, evangélicos e apoiadores de Bolsonaro, o desejo de vê-lo livre é majoritário. Por outro lado, a maior parte dos que defendem sua prisão é formada por nordestinos, eleitores que ganham até dois salários mínimos e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT).


Julgamento, acusações e risco de prisão


Bolsonaro será julgado sob a acusação de articular, com aliados civis e militares, um plano para se manter no poder após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), a tentativa fracassou, mas resultou nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.


Se condenado, Bolsonaro poderá pegar entre 12 e 43 anos de prisão por crimes como tentativa de abolição do Estado democrático de direito, golpe de Estado e associação criminosa. Ele nega todas as acusações.


Moraes na mira e reação da Justiça americana


O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, também se tornou alvo da Casa Branca. Depois de impor medidas restritivas ao ex-presidente, Moraes teve o visto para os Estados Unidos revogado. Mais recentemente, foi incluído em uma lista de sanções baseada em uma lei americana que permite o bloqueio de bens de estrangeiros acusados de violar direitos humanos.


A medida, segundo especialistas em direito internacional, foi originalmente concebida para punir ditadores e criminosos de guerra, o que deve gerar contestação jurídica nos tribunais norte-americanos.


O embate judicial em Brasília segue cercado de disputas políticas, tensões internacionais e um país ainda rachado. O julgamento de Bolsonaro no STF se aproxima como um dos eventos mais impactantes da história recente da democracia brasileira — e os dados do Datafolha mostram que o desfecho, qualquer que seja, dificilmente será consensual.


 
 
 

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