Bruno Miranda e os 25 anos do Bolshoi no Brasil: uma trajetória transformada pela dança
- Marcus Modesto
- 31 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
Bruno Miranda era criança no ano 2000 quando o balé entrou em sua vida. Ele fazia parte do Projeto Dançando na Escola, em uma unidade da rede pública de Santa Catarina, quando conheceu a possibilidade de dançar profissionalmente. Sua professora também trabalhava na recém-criada Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e, com incentivo da família, Bruno ingressou na instituição no ano seguinte. Hoje, 25 anos depois, tanto ele quanto a escola se tornaram referências na dança dentro e fora do Brasil.
A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil (ETBB) é a única filial do famoso Teatro Bolshoi da Rússia. Fundada em 15 de março de 2000, em Joinville (SC), a instituição sem fins lucrativos oferece formação de excelência em dança, contando com apoio da Prefeitura Municipal, do Governo do Estado e de empresas e pessoas físicas que incentivam o projeto. Com bolsas de estudo integrais, a escola dá oportunidade a talentos de diferentes classes sociais por meio de seleções rigorosas.
“Tudo que conquistei foi pela dança”
Aprovado para a Escola Bolshoi em 2000, Bruno Miranda se dedicou à dança por 11 anos, passando pela Companhia Jovem da ETBB antes de iniciar sua carreira profissional. Após a formação, trabalhou com a coreógrafa Deborah Colker no Rio de Janeiro e, mais tarde, na Cia Sesc de Dança, em Belo Horizonte. Desde 2017, atua no Joburg Ballet, em Joanesburgo, África do Sul, onde se tornou bailarino principal, professor e coreógrafo.
“O Bolshoi representa a minha vida. Eu não estaria onde estou hoje se não fosse a escola. Minha família sempre foi humilde, nunca tivemos dinheiro para bancar estudos. Tudo que conquistei veio por meio da dança”, contou Bruno, que também investe na formação acadêmica e está finalizando sua graduação em nutrição.
Seus planos futuros incluem especialização em fisiologia e biomecânica do exercício, com o objetivo de oferecer suporte nutricional a bailarinos. Apesar da nova área de estudo, Bruno garante que nunca se desconectará da dança e do Bolshoi.
“Até hoje tenho uma ligação forte com a escola. Fui de férias agora e passei por lá, fiz aulas, revi professores. Os alunos sabem quem sou, acompanham minha carreira. Isso me motiva a seguir adiante”, afirmou.
Maikon Golini: outro talento formado pelo Bolshoi
A história de Maikon Golini também se confunde com a do Bolshoi no Brasil. Hoje, ele é professor e assessor artístico da escola, mas iniciou sua trajetória na primeira turma da instituição, em 2000.
“Sempre gostei de dançar, mas não sabia que poderia ser uma profissão. O Bolshoi me mostrou esse caminho. Eu e minha geração fomos pioneiros, entramos sem saber o que era a escola. Hoje, 25 anos depois, vemos o impacto que ela causou”, destacou.
A seleção para ingressar no Bolshoi é altamente concorrida. Os aprovados recebem bolsa integral, mas as famílias precisam arcar com moradia e alimentação. Para ajudar nesse desafio, surgiram as chamadas “mães sociais”, responsáveis por acolher alunos de diferentes estados e países em suas casas.
Maikon enfatiza o impacto da escola na vida dos estudantes:
“O apoio da família faz toda a diferença. Não é só o aluno que se torna Bolshoi, mas sua comunidade. Muitos vêm de realidades vulneráveis e encontram no balé uma transformação para suas vidas.”
25 anos formando talentos
Com quase 500 bailarinos formados e um índice de empregabilidade de 74%, o Bolshoi no Brasil se consolidou como referência na formação artística. Além de Santa Catarina, recebe alunos de estados como Paraná, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraíba e até de outros países.
Ao completar 25 anos, a escola segue seu compromisso de oferecer oportunidades a jovens talentos e fortalecer a dança como profissão. Para muitos, como Bruno e Maikon, o Bolshoi não foi apenas uma escola, mas um divisor de águas que transformou suas trajetórias e abriu portas para o mundo.




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