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Calor extremo se prolonga e acende alerta máximo para riscos à saúde em oito estados

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 26 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

A onda de calor que marcou a semana do Natal segue castigando o Rio de Janeiro, São Paulo e outros seis estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno deve persistir até a próxima segunda-feira (29), mantendo temperaturas ao menos 5 °C acima da média por mais de cinco dias consecutivos. O cenário levou o órgão a emitir aviso vermelho, classificação de grande perigo, diante do risco elevado de danos à saúde e até de mortes.


Mais do que desconforto, o calor extremo representa uma ameaça real ao organismo. O clínico geral Luiz Fernando Penna, coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que o corpo humano pode entrar em falência térmica quando exposto a temperaturas muito altas por períodos prolongados.


“Trata-se de uma emergência médica grave, marcada por confusão mental, pele quente e seca e temperatura corporal acima de 40 °C”, alerta o médico. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento de urgência imediatamente.


De acordo com Penna, os efeitos do calor intenso costumam ser subestimados. Embora muitos associem as altas temperaturas apenas a mal-estar ou cansaço, os riscos incluem queda de pressão, desidratação severa, alterações neurológicas e colapso do sistema de regulação térmica do corpo.


Em condições extremas, o organismo tenta compensar o calor aumentando a sudorese, acelerando os batimentos cardíacos e dilatando os vasos sanguíneos. “Esses mecanismos funcionam até certo ponto. Quando o limite é ultrapassado, o corpo perde a capacidade de se resfriar, e a falência térmica se instala”, explica o especialista.


O perigo é ainda maior para pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e doenças respiratórias. O uso contínuo de medicamentos como diuréticos, anti-hipertensivos, antidepressivos e antipsicóticos também exige atenção redobrada, já que essas substâncias podem interferir no equilíbrio térmico do organismo.


Além dos impactos físicos, o calor excessivo afeta o sono, compromete o humor, aumenta a irritabilidade e reduz a capacidade de concentração e produtividade. A privação de descanso adequado prejudica a memória e a tomada de decisões rápidas, o que amplia riscos no trabalho e no trânsito.


Para minimizar os danos, especialistas reforçam que não basta apenas beber água. É fundamental evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, usar roupas leves e claras, permanecer em ambientes ventilados e suspender atividades físicas nos horários mais quentes. Trabalhadores que não conseguem evitar o calor, como profissionais da construção civil, entregadores e coletores de lixo, devem fazer pausas frequentes e buscar locais sombreados.


“Não existe adaptação completa a ondas de calor extremas e repetidas”, afirma Penna. “Com temperaturas acima de 35 °C associadas à alta umidade, o corpo humano simplesmente deixa de funcionar como deveria.”


No Rio de Janeiro, estudos já confirmam a relação direta entre calor intenso e aumento da mortalidade. Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada em fevereiro de 2025, analisou mais de 800 mil óbitos registrados entre 2012 e 2024 e identificou maior risco entre idosos e pessoas com doenças como diabetes, hipertensão, Alzheimer, insuficiência renal e infecções urinárias.


“A maior parte das pesquisas foca doenças cardiovasculares e respiratórias, mas há evidências claras de impactos também sobre doenças metabólicas, do trato urinário e neurodegenerativas”, destacou o pesquisador João Henrique de Araujo, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp).


Diante do avanço das ondas de calor, impulsionadas pelas mudanças climáticas, a recomendação é clara: reconhecer os sinais de alerta, evitar situações de risco e adotar medidas preventivas no dia a dia. Em cenários extremos, a atenção precoce pode ser decisiva para evitar complicações graves e salvar vidas.

Com informações Agência Brasil




 
 
 

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