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Canetada final ameaça áreas protegidas e acende alerta no litoral do Rio

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 6 de abr.
  • 2 min de leitura

Em um movimento que levanta suspeitas e revolta ambientalistas, o ex-governador Cláudio Castro escolheu seus últimos momentos no cargo para promover uma mudança profunda — e preocupante — na política ambiental do estado. A decisão, publicada no Diário Oficial no mesmo dia de sua renúncia, revoga decretos que garantiam proteção a áreas sensíveis do litoral fluminense.


Na prática, a medida desmonta barreiras que vinham sendo construídas ao longo de anos para conter o avanço da especulação imobiliária em regiões de alto valor ecológico. Municípios como Angra dos Reis, Arraial do Cabo e Maricá estão entre os mais impactados — justamente locais conhecidos pela beleza natural e pela pressão constante do mercado imobiliário.


O caso mais sensível envolve a APA de Tamoios, uma das joias ambientais do estado. Criada há cerca de quatro décadas, a unidade protege um complexo de ilhas, manguezais e trechos de Mata Atlântica ainda preservados. Agora, esse patrimônio corre o risco de ver suas regras flexibilizadas, abrindo espaço para construções onde antes havia restrições rigorosas.


Especialistas apontam que a mudança pode liberar intervenções em áreas estratégicas, inclusive em ilhas até então intocadas. O temor é que o novo plano de manejo transforme zonas de preservação em alvos de empreendimentos turísticos e imobiliários, alterando de forma irreversível o equilíbrio ambiental da região.


O deputado estadual Carlos Minc foi direto ao criticar a medida, lembrando que iniciativas semelhantes já haviam sido barradas anteriormente. Para ele, a lógica é simples: onde entra o concreto, a natureza perde espaço — e o ecoturismo, que depende da preservação, perde sentido.


A reação da sociedade civil não demorou. Organizações ambientais e lideranças locais já articulam medidas judiciais para tentar suspender os efeitos do decreto. O argumento é claro: alterar regras pode ser necessário, mas nunca para reduzir o nível de proteção de um bioma já tão pressionado quanto a Mata Atlântica.


Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão atende a interesses econômicos antigos, agora destravados por uma “canetada de despedida”. Enquanto isso, o futuro de áreas consideradas estratégicas para a biodiversidade segue em disputa.


A batalha, no entanto, está longe do fim. O tema ainda passará pelo crivo do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), onde deve enfrentar forte pressão de ambientalistas e da sociedade organizada. Até lá, o que se vê é um cenário de incerteza — e a sensação de que o preço dessa decisão pode ser pago por gerações.

Foto Arquivo


Castro, ex governador do Rio de Janeiro

 
 
 

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