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Carta expõe adoecimento e silêncio na Educação de Barra Mansa

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 8 de abr.
  • 2 min de leitura

Uma carta aberta que circula entre profissionais da Educação de Barra Mansa e cidades vizinhas acendeu um alerta incômodo — e urgente. Assinado pela professora Angélica Ribas, o texto não aponta a greve como problema central, nem a falta de mobilização. Vai além: coloca o silêncio como protagonista de uma crise que, segundo ela, já ultrapassou todos os limites.


A mensagem é direta e dura. Denuncia uma realidade marcada por sobrecarga de trabalho, desvalorização profissional, falta de professores, ausência de agentes de apoio e auxiliares, além de desvio de função, pressão constante e até casos de assédio. Um cenário que não é novidade, mas que, segundo a autora, vem sendo naturalizado dentro das próprias unidades escolares.


Um dos pontos mais sensíveis da carta é a crítica à forma como direitos são implementados. O exemplo citado é o 1/3 de planejamento — uma conquista histórica da categoria — que, na prática, estaria sendo aplicado sem estrutura adequada. Em vez de representar avanço, tem sido percebido por muitos como mais uma camada de sobrecarga.


Mas o texto ganha força ao tratar das consequências desse ambiente. A carta fala abertamente sobre adoecimento psicológico, esgotamento e um tema ainda mais delicado: tentativas de suicídio entre profissionais da educação. Não como exceção, mas como reflexo de um sistema que falha em oferecer condições mínimas de trabalho e suporte emocional.


A crítica mais incisiva, no entanto, não é dirigida apenas ao poder público. Ela recai também sobre a própria categoria. Ao afirmar que “o silêncio também é uma escolha política”, a autora confronta colegas que, mesmo diante da crise, optam pela omissão — seja por medo, acomodação ou estratégia de sobrevivência.


Esse ponto expõe uma ferida interna: a dificuldade de mobilização coletiva em um ambiente marcado por desgaste e individualização. Enquanto alguns enfrentam, outros recuam. E, nesse movimento, problemas estruturais seguem se perpetuando.


A carta não apresenta soluções prontas, mas faz um chamado claro à responsabilidade coletiva. Não se trata, segundo a autora, de buscar culpados, e sim de reconhecer que a omissão também sustenta o problema.


O documento encerra com um questionamento que ecoa além das salas de aula: de que lado cada profissional está diante dessa realidade?


Em um momento em que a educação pública enfrenta desafios históricos, o texto de Angélica Ribas cumpre um papel importante — o de romper o silêncio. Resta saber se será suficiente para provocar reação ou se será apenas mais um retrato incômodo destinado a cair no esquecimento.

Foto arquivo


 
 
 

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