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Casos de violência em escolas mais que triplicam em uma década e alcançam recorde em 2023

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 15 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

O ambiente escolar brasileiro enfrenta uma crescente onda de violência. Em 2023, o número de ocorrências registradas mais do que triplicou em comparação com a última década, segundo levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC). Ao todo, 13,1 mil pessoas buscaram atendimento em serviços de saúde após sofrerem agressões físicas, violência psicológica, tentativas de suicídio ou automutilação ligadas ao contexto escolar. Em 2013, esse número era de 3,7 mil.


Os dados revelam uma realidade preocupante: metade dos casos no último ano envolveu agressões físicas. A violência psicológica ou moral representou 23,8% das ocorrências, enquanto a violência sexual apareceu em 23,1% dos registros. Em mais de um terço dos episódios (35,9%), o agressor era alguém próximo da vítima, como amigos ou conhecidos — um dado que reforça a complexidade das relações dentro das escolas.


O Ministério da Educação (MEC) categoriza a violência escolar em quatro grupos principais: agressões extremas (como ataques letais, a exemplo da tragédia na creche de Blumenau, que matou quatro crianças), violência interpessoal (entre alunos e professores), bullying (com atos repetitivos de intimidação) e crimes ocorridos no entorno das escolas, como tráfico, furtos e tiroteios.


Pesquisadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) apontam múltiplas causas para esse avanço da violência. Entre os fatores estão o desrespeito crescente aos profissionais da educação, a tolerância a discursos de ódio, a precariedade das escolas, a influência de ambientes familiares violentos e a ausência de políticas eficazes de mediação de conflitos. Também foi destacada a falta de preparo das secretarias de educação para lidar com temas como racismo e misoginia.


Outro elemento importante é o avanço das chamadas “comunidades mórbidas virtuais” — grupos on-line em que jovens compartilham conteúdos que incentivam a automutilação e o suicídio. O aprimoramento dos sistemas de registro hospitalar também tem contribuído para dar mais visibilidade aos casos.


Diante desse cenário, especialistas recomendam a adoção de políticas públicas integradas e permanentes. Ações conjuntas entre os setores de educação, saúde, justiça e assistência social são apontadas como fundamentais. Além disso, é necessário repensar a cultura escolar, fortalecendo a representatividade de mulheres e pessoas negras nas gestões das escolas e ampliando a atuação dos conselhos tutelares, sobretudo em instituições privadas, onde essa rede de proteção ainda é pouco acionada.



 
 
 

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