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Castro e Paes: o pacto silencioso que expõe a fragilidade da política no Rio

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 1 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

À primeira vista, Cláudio Castro e Eduardo Paes parecem habitar universos opostos. O governador, atrelado ao bolsonarismo, aposta todas as fichas na candidatura ao Senado ao lado de Flávio Bolsonaro. Já o prefeito do Rio, pragmático e calculista, mantém portas abertas em Brasília com Lula e se organiza para disputar o governo estadual por meio de uma aliança de centro-esquerda.


Na teoria, dois projetos inconciliáveis. Na prática, um retrato fiel do vale-tudo político fluminense. A reunião entre os dois, no Palácio Laranjeiras, no dia 15 de agosto, revelou que, longe das câmeras, adversários podem se transformar em cúmplices — ainda que por conveniência. Foram quase cinco horas de conversa para costurar um “pacto de não agressão”: Paes não atrapalha os planos de Castro no Senado, e Castro não interfere no caminho de Paes rumo ao governo.


É uma troca de favores travestida de moderação. O PL, movido pelo projeto de Jair Bolsonaro de controlar o Senado e hostilizar o Supremo, teria campo livre para consolidar a candidatura de Flávio. O PSD, por sua vez, encontraria terreno menos hostil para pavimentar a sucessão no Rio. O eleitor, nesse arranjo, é mero detalhe.


O gesto de Paes de abrir mão de uma candidatura competitiva ao Senado — como a de Pedro Paulo, que poderia disputar o mesmo eleitorado de centro-direita de Castro — é um presente calculado. Já o governador, desgastado após o rompimento com Rodrigo Bacellar, prefere se concentrar em salvar o próprio futuro político, deixando de lado a responsabilidade de liderar o debate sobre o destino do estado.


O encontro no Salão Luís XIV do Palácio Laranjeiras, palco de negociações emblemáticas da República, escancara a lógica que rege a política no Rio: acordos de bastidor, onde prevalece a sobrevivência individual e não o interesse coletivo. Castro busca blindagem. Paes, oportunidade. Ambos, conveniência.


Resta saber até quando esse arranjo silencioso resistirá às mudanças de vento que sempre redesenham o tabuleiro político. Como dizia Magalhães Pinto, política é nuvem. Mas, no caso do Rio, parece mais uma tempestade que nunca passa.


 
 
 

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