Cenário eleitoral sem Lula e Bolsonaro revela disputa acirrada entre Ciro, Tarcísio e Haddad, aponta Datafolha
- Marcus Modesto
- 5 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha revela um cenário eleitoral inédito para as eleições presidenciais de 2026, caso os dois principais protagonistas da polarização política brasileira nos últimos anos — Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) — fiquem fora da disputa.
O levantamento, realizado com 3.054 eleitores entre os dias 1º e 3 de abril em 172 municípios, mostra que, na ausência de Lula e Bolsonaro, a disputa ficaria concentrada entre Ciro Gomes (PDT), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT). Ciro lideraria com 19% das intenções de voto, seguido de perto por Tarcísio, com 16%, e Haddad, com 15%. Os três estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Ciro, que já disputou quatro eleições presidenciais e teve desempenho modesto em 2022, aparece fortalecido neste cenário, principalmente no Nordeste, onde marca 27% das intenções de voto. A região, tradicional reduto petista, mostra um desempenho aquém para Haddad, que soma 18%, enquanto Tarcísio tem 12%.
Já no Sudeste, a região mais populosa do país, Tarcísio se destaca, alcançando 21%, enquanto Ciro tem 17% e Haddad, 16%. Entre os eleitores evangélicos, o governador de São Paulo também lidera com 18%, seguido por Ciro (13%) e Haddad (8%).
Apesar de inelegível, Bolsonaro segue com forte presença política e lidera em um cenário sem Lula, com 32% das intenções de voto. Nesse caso, Ciro aparece com 20%, e Haddad com 17%.
Mesmo com 79 anos, Lula ainda é visto como o principal nome do campo governista. Em todos os cenários em que seu nome é testado, o petista aparece à frente — contra Bolsonaro, por exemplo, venceria por 36% a 30%. A pesquisa também mostra que 62% dos eleitores acreditam que ele será candidato em 2026, sendo que 40% têm certeza disso. Caso decida não concorrer, 37% dos entrevistados dizem que Lula deveria apoiar Fernando Haddad.
Outros nomes testados pelo Datafolha aparecem com desempenho mais modesto: Pablo Marçal (PRTB) marca 12%, tecnicamente empatado com Haddad; Ratinho Junior (PSD) tem 7%; Eduardo Leite (PSDB), 5%; Romeu Zema (Novo), 3%; e Ronaldo Caiado (União Brasil), 2%.
Em termos de rejeição, Haddad lidera com 22% de eleitores que dizem não votar nele de forma alguma. Ciro aparece com 18%, e Tarcísio com 13%, o menor índice entre os três principais nomes da disputa sem Lula e Bolsonaro.

A pesquisa também aponta que a recente estabilidade na popularidade do governo Lula, após ajustes na comunicação e medidas como a proposta de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, ajudaram a frear a tendência de queda observada no início do ano.
O quadro que se desenha é de incerteza, com a possibilidade de uma eleição marcada por novas lideranças em meio ao esgotamento do ciclo Lula-Bolsonaro. Resta saber se os protagonistas da polarização estarão ou não no páreo.




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