Centro Histórico de Paraty alagado por maré alta em meio a alertas globais de tsunami
- Marcus Modesto
- 30 de jul. de 2025
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Por Marcus Modesto
Enquanto o mundo acompanha com atenção os desdobramentos do terremoto de magnitude 8,8 registrado no leste da Rússia — que provocou alertas de tsunami em diversos países do Pacífico —, o município de Paraty, no sul do Rio de Janeiro, enfrenta nesta quarta-feira (30) mais um episódio de maré alta que alagou ruas do Centro Histórico, trazendo prejuízos e insegurança a moradores, comerciantes e turistas.
Com as calçadas completamente cobertas pela água do mar, a paisagem típica de Paraty — que encanta visitantes por sua arquitetura colonial preservada — se transformou em um cenário de abandono e alerta. A água invadiu lojas, restaurantes e pousadas, em mais uma demonstração da fragilidade da cidade diante dos fenômenos naturais e da ausência de medidas eficazes para mitigar seus impactos.
Apesar de não haver, até o momento, qualquer ligação direta com o tsunami registrado no Pacífico, o episódio desta terça reforça o quanto Paraty está vulnerável às alterações climáticas e aos efeitos da elevação do nível do mar. O fenômeno da maré alta não é novo na cidade, mas vem se tornando mais frequente e mais intenso, agravado por chuvas fortes, ventos e mudanças oceânicas que refletem um clima cada vez mais instável.
Enquanto autoridades internacionais emitem alertas, mobilizam forças e evacuam regiões costeiras, em Paraty a resposta segue lenta, marcada pela improvisação. Falta um plano claro de contingência, sinalização adequada e investimentos em infraestrutura urbana que levem em consideração a nova realidade ambiental.
A cidade histórica, reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, precisa ser protegida — não apenas como cartão-postal, mas como espaço de vida, cultura e economia local. Ignorar o avanço das águas é condenar Paraty a se afogar, não só fisicamente, mas também em omissão.
É hora de deixar o romantismo das marés de lado e enfrentar a urgência que se impõe. Porque, diferentemente da beleza das fotos nas redes sociais, quem vive ou trabalha no Centro Histórico sabe: quando a água sobe, tudo afunda.




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