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Chefe da Otan alerta Brasil, China e Índia: “Façam Putin parar ou serão atingidos”

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 16 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, lançou nesta terça-feira (15) um alerta direto aos governos do Brasil, China e Índia: se não pressionarem o presidente russo Vladimir Putin por um cessar-fogo na guerra da Ucrânia, poderão ser alvo de duras sanções e tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.


A declaração veio no dia seguinte ao ultimato anunciado pelo presidente americano Donald Trump, que deu um prazo de 50 dias para que Moscou inicie negociações de paz. Caso contrário, Washington aplicará sanções secundárias e tarifas de até 100% sobre países que mantêm relações comerciais com a Rússia, especialmente na área energética.


“Minha recomendação a esses três países, especialmente, é: se você vive agora em Pequim, em Délhi, ou é o presidente do Brasil, talvez queira prestar atenção nisso, porque isso pode atingi-los com força”, disse Rutte a jornalistas. “Façam a ligação para Putin e digam que ele precisa levar as negociações a sério. Caso contrário, as consequências virão — e de forma massiva.”


Mark Rutte, ex-primeiro-ministro da Holanda, assumiu recentemente o comando da Otan e agora atua como articulador entre os países aliados e os interesses estratégicos dos EUA na guerra. Ele foi direto ao dizer que as novas medidas devem mirar os países que seguem comprando petróleo e outros produtos da Rússia, apesar das sanções ocidentais em vigor desde o início da invasão da Ucrânia, em 2022.


Brasil na mira


Embora Trump não tenha mencionado explicitamente o Brasil, China ou Índia em seu discurso, lideranças do Congresso americano já trabalham para enquadrá-los. O senador democrata Richard Blumenthal afirmou no X (antigo Twitter) que está empenhado em aprovar um pacote de sanções ainda mais severo, elaborado em conjunto com o senador republicano Lindsey Graham. O texto prevê tarifas de até 500% contra países que, segundo eles, continuam “alimentando a máquina de guerra de Putin”.


“Continuaremos pressionando pela aprovação do projeto de sanções contra a Rússia, com penalidades ainda mais duras para dissuadir Índia, China, Brasil e outros”, escreveu Blumenthal. “O Congresso precisa agir com firmeza e enviar uma mensagem clara.”


Impacto nas relações comerciais


As ameaças surgem em um momento de tensão crescente entre os Estados Unidos e seus parceiros comerciais. A Índia está perto de concluir um acordo bilateral de tarifas recíprocas com os EUA, e a China vinha tentando recompor laços após a trégua comercial firmada em maio. Já o Brasil, sob o governo Lula, enfrenta a pressão adicional da nova tarifa emergencial de 50% anunciada por Trump sobre produtos brasileiros — com vigência prevista para agosto.


Agora, o país vê-se envolvido em mais uma crise diplomática, com potencial de ampliar os impactos sobre sua balança comercial. O Planalto ainda não se pronunciou oficialmente sobre o novo alerta da Otan, mas interlocutores do governo reconhecem que o tom adotado por Washington e seus aliados eleva o risco de sanções diretas, principalmente se o Brasil mantiver sua postura de neutralidade em relação ao conflito.


Enquanto os Estados Unidos apertam o cerco contra aliados de Moscou, cresce a pressão para que o Brasil defina com clareza sua posição frente à guerra — e às consequências que podem vir com ela.


 
 
 

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