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Cid diz que advogados ligados a Bolsonaro tentaram acessar delação por meio de sua filha menor de idade

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 26 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Em novo depoimento prestado à Polícia Federal, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou que advogados ligados à defesa do ex-presidente e de outros investigados na suposta trama golpista tentaram, de forma insistente e indireta, acessar detalhes de sua delação premiada. Segundo ele, as abordagens teriam ocorrido entre o segundo semestre de 2023 e o início de 2024, incluindo contatos com sua filha menor de idade, sua esposa e sua mãe.


O depoimento foi colhido na última terça-feira (24), no âmbito do inquérito que apura possível tentativa de obstrução das investigações sobre a articulação golpista para manter Bolsonaro no poder após sua derrota nas eleições de 2022. A investigação tramita por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).


No relato à PF, Mauro Cid apontou diretamente os advogados Luiz Eduardo de Almeida Kuntz, defensor do coronel Marcelo Câmara, e Fábio Wajngarten, que integrou a comunicação do governo Bolsonaro e atua atualmente na defesa do ex-presidente. De acordo com ele, os dois mantiveram contato direto com sua filha menor, identificada como G.R.C., por meio de mensagens no WhatsApp e no Instagram.


“Identificou que os advogados Luiz Eduardo Kuntz e Fábio Wajngarten estavam mantendo contato constante com sua filha menor G.R.C. entre agosto de 2023 e o primeiro trimestre de 2024”, consta no relatório da Polícia Federal. Cid acredita que o objetivo dos advogados era se aproximar dele por meio da filha, numa tentativa velada de obter informações sigilosas da delação.


Ele também afirmou que sua mãe foi abordada em pelo menos três ocasiões na Sociedade Hípica Paulista, onde acompanhava a neta em eventos esportivos. Em uma dessas situações, também teria participado o advogado Paulo Bueno, defensor de Jair Bolsonaro na Ação Penal 2.668/DF. Cid relatou que os advogados teriam se oferecido para assumir sua defesa — gesto que, segundo ele, não foi de solidariedade, mas parte de uma estratégia para acessar indevidamente informações de sua colaboração com a Justiça.


Além das abordagens à família, o depoente negou ter violado os termos do acordo firmado com o Ministério Público. Advogados da defesa de Bolsonaro e de outros réus sustentam que Cid teria divulgado trechos sigilosos de sua delação por meio de um perfil falso em rede social, o “Gabrielar702”. À PF, ele negou qualquer ligação com o perfil e afirmou acreditar que foi alvo de uma gravação clandestina, sem seu conhecimento, posteriormente editada e divulgada com sua voz.


Segundo Cid, os áudios publicados pela revista Veja foram manipulados e, em parte, retirados de contexto. Ele ainda disse que a imagem divulgada como suposta evidência de sua atuação nas redes teria sido vazada e montada para incriminá-lo.


A Polícia Federal deverá agora ouvir os advogados citados no depoimento, incluindo Wajngarten, Kuntz e Paulo Bueno. O inquérito é parte de um conjunto de investigações conduzidas no Supremo sobre a tentativa de golpe de Estado e a organização criminosa que, segundo a PF e a Procuradoria-Geral da República, atuou para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Mauro Cid é uma das principais figuras nessas apurações. Com o acordo de delação premiada, ele forneceu provas consideradas fundamentais para os desdobramentos do caso — e agora, com os novos relatos, adiciona elementos que podem aprofundar suspeitas sobre tentativas de interferência direta nas investigações em curso.



 
 
 

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