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Classe média lidera avanço do empreendedorismo no Brasil, mas cenário revela contrastes

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Quase metade dos donos de negócios no Brasil pertence à chamada classe C, a classe média. O dado, revelado em levantamento do Instituto Locomotiva em parceria com o Sebrae, ajuda a entender quem está por trás do crescimento do empreendedorismo no país — e também expõe as diferentes motivações que impulsionam esse movimento.


O estudo aponta uma mudança importante de percepção. O empreendedorismo deixou de ser visto apenas como uma saída emergencial para momentos de crise e passou a ocupar o lugar de projeto de vida. Cada vez mais brasileiros enxergam no próprio negócio uma oportunidade de ascensão social, ao mesmo tempo em que cresce a desconfiança em relação ao modelo tradicional de trabalho com carteira assinada.


Entre os principais atrativos estão a autonomia, a flexibilidade e a expectativa de ganhos maiores. Para muitos, empreender significa fugir de rotinas desgastantes, longos deslocamentos e ambientes profissionais considerados tóxicos. É a tentativa de assumir o controle da própria trajetória.


O presidente do Sebrae, Décio Lima, reforça que o impacto vai além do indivíduo. Segundo ele, pequenos negócios movimentam a economia, geram empregos e fortalecem comunidades inteiras. Ainda assim, destaca que o crescimento sustentável do setor depende de políticas públicas eficientes, com acesso a crédito, inovação e capacitação.


Mas nem todo empreendedorismo nasce da oportunidade. O economista Euzébio de Sousa chama atenção para a necessidade de diferenciar perfis. Nem toda abertura de empresa representa, de fato, inovação ou expansão produtiva. Em muitos casos, trata-se de alternativas encontradas diante da falta de emprego formal.


Esse fenômeno, conhecido como empreendedorismo por necessidade, é comum em cenários de desemprego elevado, informalidade e baixos salários. Nesses casos, abrir um negócio não é exatamente uma escolha — é uma imposição da realidade.


Na avaliação do especialista, quando o empreendedorismo surge como única saída, ele deixa de ser motor de desenvolvimento e passa a ser apenas uma estratégia de sobrevivência. O desafio, portanto, é criar condições para que mais brasileiros empreendam por oportunidade, e não por falta de विकल्प.


O retrato atual mostra um país empreendedor, mas também revela um mercado de trabalho em transformação — onde liberdade e insegurança caminham lado a lado.

Foto Marcelo Camargo


 
 
 

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