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Cláudio Castro e o silêncio conveniente de Valdemar

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 24 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

A novela da permanência de Cláudio Castro no PL ganhou mais um capítulo com a negativa protocolar de Valdemar Costa Neto sobre uma suposta reunião com o governador fluminense. “Não tem agenda, não tem isso”, respondeu o dirigente, como quem tenta evitar um desgaste anunciado. Mas, nos bastidores de Brasília, a política raramente respeita a formalidade de uma agenda — principalmente quando envolve o futuro de um governador em rota de colisão com aliados históricos.


Cláudio Castro enfrenta, ao mesmo tempo, uma crise interna no Palácio Guanabara, uma desconfiança crescente dentro do próprio PL e a indefinição do apoio de Jair Bolsonaro à sua candidatura ao Senado em 2026. Não por acaso, vozes do bolsonarismo já articulam outras opções para a corrida ao Senado, enquanto Castro tenta, sem muita convicção, manter-se como o nome preferido do ex-presidente no estado.


O silêncio de Valdemar, assim como o de Bolsonaro, não é um mero descuido — é estratégia. Ambos observam a crise no Rio como quem espera que o problema se resolva sozinho, ou que o desgaste público force Castro a sair por conta própria, livrando o partido do ônus de uma ruptura oficial. E se a tal reunião “não marcada” de fato acontecer nesta semana, será mais um exemplo da política feita nos bastidores, onde gestos contam mais que declarações públicas.


Enquanto isso, Washington Reis segue flertando com a disputa majoritária e Rodrigo Bacellar tenta se consolidar como liderança alternativa, após o episódio da demissão relâmpago durante a ausência de Castro. O vácuo de comando no Rio está sendo preenchido por vaidades e ambições pessoais, enquanto os grandes temas — como os vetos ao Propag, que afetam diretamente as finanças do estado — ficam em segundo plano.


No jogo político de Brasília, nada acontece por acaso. E quando Valdemar diz que “não tem agenda”, talvez queira dizer que ainda não decidiu se vale a pena manter Cláudio Castro no tabuleiro.


 
 
 

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