Coitado do Rio de Janeiro
- Marcus Modesto
- 26 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
A política fluminense parece um laboratório de improvisos. A implosão da candidatura de Rodrigo Bacellar, antes tratado como aposta viável, escancarou a falta de rumo da centro-direita no Rio de Janeiro. Agora, as siglas que orbitam o campo conservador correm contra o tempo para não perder protagonismo diante da força de Eduardo Paes, que segue consolidado.
O PL, centro nervoso do bolsonarismo, cogita nomes que mostram bem o tamanho da incerteza: o ex-ministro Paulo Guedes, que nunca demonstrou apetite eleitoral, e o general Eduardo Pazuello, mais lembrado pela desastrosa gestão da pandemia do que por qualquer liderança política. Pesquisas serão feitas para medir o fôlego de ambos, mas já nasce o dilema: Guedes só entraria com benção explícita de Bolsonaro, enquanto Pazuello finge recusar mas posa de soldado à espera da convocação do “capitão”.
Enquanto isso, Márcio Canella inicia sua pré-campanha rodando o interior do estado com o aval de Antônio Rueda. A parceria parece mais voltada a projetos pessoais — Rueda sonha com Brasília, Canella com o Palácio Guanabara — do que a uma articulação sólida de oposição.
No caso de Bacellar, a mensagem do União Brasil é cristalina: sua candidatura já virou pó. O presidente da Alerj até ensaiou um voo mais alto quando ocupou interinamente o governo, mas a queda foi rápida. Sua decisão de rifar Washington Reis, aliado histórico de Bolsonaro, foi o estopim para perder a confiança do clã, especialmente de Flávio, que tratou de fechar as portas para qualquer composição futura.
O cenário atual escancara um velho problema do Rio: a ausência de projeto. Entre nomes sem lastro eleitoral, acordos frágeis e candidaturas que não sobrevivem a uma semana de turbulência, o que sobra é o improviso — e um eleitorado conservador que segue sem liderança consistente. Enquanto isso, Eduardo Paes, com toda a sua habilidade política, assiste de camarote à fragmentação dos adversários.
No fim, quem paga o preço da falta de rumo não são os caciques partidários, mas o povo fluminense, condenado a assistir mais um capítulo da política feita na base do casuísmo.




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