Comércio com o Irã ganha peso regional e coloca o Brasil diante de dilema geopolítico
- Marcus Modesto
- 13 de jan.
- 2 min de leitura
Mesmo sem ocupar posição de destaque no ranking global das exportações brasileiras, o Irã manteve relevância estratégica para o comércio exterior do Brasil em 2025. O intercâmbio entre os dois países alcançou cerca de US$ 3 bilhões no ano, impulsionado principalmente pelo agronegócio, setor que sustenta quase toda a relação comercial com Teerã.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que as exportações brasileiras ao Irã somaram aproximadamente US$ 2,9 bilhões, valor suficiente para posicionar o país persa como o quinto maior destino dos produtos brasileiros no Oriente Médio. Na região, ficou atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita, superando mercados tradicionalmente mais expressivos no comércio global, como Suíça, África do Sul e Rússia.
A pauta exportadora é altamente concentrada. Milho e soja responderam por mais de 87% das vendas ao mercado iraniano em 2025. O milho liderou com folga, ultrapassando US$ 1,9 bilhão em exportações, enquanto a soja somou pouco mais de US$ 560 milhões. Açúcares, farelos para ração animal e petróleo completam a lista dos principais produtos enviados.
No sentido inverso, as compras brasileiras do Irã foram bem mais restritas, alcançando cerca de US$ 84 milhões. A maior parte desse valor esteve ligada à aquisição de fertilizantes e adubos, além de volumes menores de frutas secas, nozes e pistaches, itens tradicionalmente associados ao país do Oriente Médio.
A relação comercial, no entanto, tem sido marcada por fortes oscilações. Após atingir um pico de US$ 4,2 bilhões em exportações em 2022, o fluxo recuou nos anos seguintes, voltando a ganhar fôlego em 2024 e 2025. As importações apresentaram variações ainda mais intensas, refletindo fatores políticos, logísticos e cambiais.
Esse cenário ganhou contornos mais delicados após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de impor tarifas de 25% a países que mantenham negócios com o Irã. Caso a medida seja confirmada, o Brasil poderá enfrentar impactos indiretos relevantes, sobretudo no agronegócio, setor mais exposto à relação com Teerã. O governo brasileiro afirma que aguarda a formalização da decisão americana antes de se posicionar.
Paralelamente às tensões, Brasil e Irã têm buscado aprofundar o diálogo institucional. Em 2024, autoridades agrícolas dos dois países avançaram na criação de um comitê bilateral para facilitar o comércio e ampliar a cooperação técnica. O interesse iraniano em instalar uma empresa de navegação no Brasil também sinaliza esforços para reduzir custos logísticos e consolidar a parceria.
A equação, porém, tornou-se mais complexa. A aproximação econômica com o Irã ocorre em um contexto de crescente pressão internacional e instabilidade geopolítica, colocando o Brasil diante do desafio de equilibrar interesses comerciais, diplomáticos e estratégicos em um cenário global cada vez mais polarizado.
Com informações Agência Brasil




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